Impacto da pandemia nos anúncios de TV deve ser ainda maior no próximo trimestre

Impacto da pandemia nos anúncios de TV deve ser ainda maior no próximo trimestre

Embora os resultados do primeiro trimestre já mostrem os efeitos da crise, a venda de publicidade nos Estados Unidos será mais afetada nos próximos meses

por Soraia Alves

A pandemia de Covid-19 afetou diretamente muitos negócios no mundo todo, e com a publicidade não é diferente. De acordo com uma reportagem do Adweek, a venda de publicidade nos Estados Unidos caiu muito no primeiro trimestre do ano, mas o pior ainda está por vir nos próximos meses, quando as empresas sentirão todos os efeitos da crise realmente sobre seus ganhos.

A WarnerMedia teve um impacto de US$ 400 milhões, enquanto a Fox Corp viu diminuir 50% de suas receitas locais de anúncios na Fox Corp. A Disney já amarga cerca de US $ 1 bilhão em lucros perdidos em relação a todas as suas frentes de publicidade. Já a rede de esportes ESPN viu as receitas caírem 8% já que a programação de esportes ao vivo simplesmente foi pausada em todo o mundo. No total, a empresa registrou US$ 1,4 bilhão em lucros perdidos no primeiro trimestre devido à Covid-19. Já a AT&T viu as receitas de publicidade caírem 12,9%.

Como a publicidade de estúdios de cinema, restaurantes, turismo, varejo e automóveis basicamente desapareceu, a monetização mesmo em meio ao aumento da audiência é um desafio: “Apesar dos ganhos de audiência em nossa programação de notícias locais, as receitas fiscais de publicidade no trimestre estão diminuindo cerca de 50% em relação aos níveis do ano anterior”, disse Lachlan Murdoch, CEO da Fox Corp.

O mesmo pode ser dito na ViacomCBS, que registrou um declínio de 30% em relação ao ano anterior em seu segmento de entretenimento na televisão, uma perda de US$ 586 milhões devido à queda dos esportes ao vivo e a saída de alguns anunciantes, além de todas as oscilações do mercado em abril.

Mesmo o Discovery, que não lida com os impactos do cancelamento de eventos esportivos ao vivo e com uma demanda renovada por programas sobre casa e culinária, também viu os efeitos da crise: sua receita com anúncios internacionais teve um declínio de quase 10% em março e 40% em abril, de acordo com David Zaslav, CEO da Discovery.

Em meados de abril, uma pesquisa com editores do Interactive Advertising Bureau constatou de forma quase unânime que a receita de vendas de anúncios cairia este ano, com 77% relatando o cancelamento de algumas campanhas para clientes e 82% relatando pausas na publicidade para compradores.

Mas os danos são bem profundos em todo o mercado. O trimestre mais recentes reflete apenas uma parte afetada pela Covid-19 nos EUA, com meados de março apontado como o ponto de virada para a maioria.

As empresas de mídia estão respondendo com planos iniciais mais ajustados, esperando uma temporada prolongada que depende das necessidades do anunciante. Há algum otimismo, pelo menos publicamente, de que o mercado irá melhorar à medida que os anunciantes se ajustarem à “nova realidade” mundial. Mas a expectativa de uma reviravolta acontecer na segunda metade do ano ainda é utópica.

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