Funcionários da Microsoft pedem que empresa encerre contrato com a polícia de Seattle

E-mail assinado por mais de 250 trabalhadores foi escrito depois da violenta repressão das forças policiais locais a manifestos pacíficos no fim de semana

por Pedro Strazza

Um grupo formado por centenas de funcionários da Microsoft enviou esta semana à diretoria principal da companhia uma carta que pede à empresa o encerramento de contratos com o departamento de polícia de Seattle. A razão seria o uso desmedido de violência do corpo de oficiais contra os recentes protestos pacíficos na cidade, que incluíram entre outras coisas o uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo e granadas de atordoamento.

De acordo com o OneZero, o manifesto é escrito por mais de 250 empregados e descreve que os trabalhadores da empresa que moram na cidade foram afetados indiretamente pela ação da polícia para repreender os protestos ocorridos no último domingo (7), incluindo aí mais de quinze minutos ininterruptos de gás e explosões acontecendo na região. Além do cancelamento de quaisquer contratos com o departamento, o documento pede à Microsoft que reconheça a “realidade violenta” que o povo na cidade está submetida, condene o uso de armas para repreender os manifestantes, faça uma petição pela renúncia da atual prefeita Jenny Durkan e apoie movimentos pela desmilitarização da polícia estadunidense.

A carta ainda pede ações relacionadas ao funcionamento interno da empresa, incluindo o apoio ao Black Lives Matter da cidade e a permissão aos funcionários para reduzir suas demandas de produção em 50% devido aos protestos e principalmente à pandemia do coronavírus, que vem interferindo na rotina de operação. “Todo dia, nós sentimos que nossos estimados colegas, gerentes e líderes que vivem a quilômetros de distância de Seattle estão demasiado desconectados da realidade violenta que milhares de pessoas vivem por aqui desde o último sábado” ainda comenta os funcionários, que por fim pedem por líderes “que ajudem a reparar este vácuo de desconexão, desinformação e complacência”.

Embora a Microsoft não tenha se pronunciado oficialmente sobre o caso, o e-mail é enviado poucos dias depois do CEO Satya Nadella escrever no blog da empresa uma longa carta aos funcionários para discutir medidas que atendam aos temas suscitados pelos protestos sobre a morte de George Floyd, incluindo aí “metas e programas que melhorem a representatividade em todos os cargos e níveis”. “Nós temos que agir. E nossas ações devem refletir os valores de nossa companhia e serem diretamente conscientes das necessidades da comunidade negra e afro-americana” chega a afirmar o executivo no documento.

A situação é mais um ponto na contínua relação problemática das empresas do Vale do Silício com a política estadunidense. Além do atrito de seus funcionários com a violência policial de Seattle, a própria Microsoft já viu seu corpo de trabalhadores se manifestar contra um contrato feito com o exército do país para fornecer o HoloLens, enquanto a IBM anunciou nesta terça (9) a desistência em investimentos e desenvolvimento de tecnologia de reconhecimento facial devido ao seu uso por governos.

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