Com venda de “Cobra Kai” à Netflix, YouTube abandona de vez produção de conteúdos originais roteirizados

Enquanto serviço de streaming deve relançar este ano as duas primeiras temporadas do programa, plataforma conclui plano de transição dos negócios para suporte de anúncios e patrocínios

por Pedro Strazza

Demorou mais de um ano, mas enfim a reorganização do YouTube dentro do mercado de streaming terminou de ocorrer. A plataforma de vídeos confirmou nesta segunda (22) a venda das três primeiras temporadas de “Cobra Kai” para a Netflix, um movimento que finaliza a transição da companhia pra fora da área de produção de conteúdo roteirizado – e portanto da briga com serviços como o Amazon Prime Video, o Disney+, o HBO Max e a própria compradora da continuação de “Karatê Kid”.

O movimento já acontece desde março de 2019, quando o YouTube anunciou o cancelamento das séries originais “Origin” e “Overthinking” e passou a não aceitar novos projetos do tipo para o YouTube Premium. Como reportado na época, o plano do Google era de desviar o foco das assinaturas para uma receita à base de patrocínios e suporte para anúncios, uma estratégia reforçada no mês passado com a venda dos seriados “Step Up” e “On Becoming a God in Central Florida” à Starz e a Showtime, respectivamente.

Sobre o último conteúdo sobrevivente do selo YouTube Red, a compra dos direitos pela Netflix inclui além dos dois primeiros anos já lançados pelo YouTube a distribuição da terceira temporada, que ainda será produzida pela Sony Pictures Television – que no caso continua responsável pelo projeto. O Hollywood Reporter afirma ainda que o Hulu teria se interessado pelos direitos da produção, junto de um grupo de emissoras e serviços que procuram por conteúdos que deem conta dos futuros “vácuos de programação” na retomada dos trabalhos pós-pandemia.

Embora tenha sido adquirido pelo streaming após a plataforma do Google declarar à Sony que não tinha interesse em continuar financiando o programa, “Cobra Kai” chega com enorme potencial à companhia de Reed Hastings: o piloto teria acumulado 20 milhões de espectadores na primeira semana, um fator que ajudou o YouTube na época a renovar quase que imediatamente a produção. Por conta disso, a Netflix deve disponibilizar ainda este ano as duas primeiras temporadas da série.

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