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Depois de décadas de controvérsia, Disney vai aposentar “Splash Mountain” dos parques

Previsto para ser renovada com o tema de "A Princesa e o Sapo", atração despertava críticas por reutilizar personagens e cenários de filme racista do estúdio

por Pedro Strazza

Há anos o maior item de controvérsia nos parques da Disney, a “Splash Mountain” enfim chegou ao fim de sua carreira. A Walt Disney Company anunciou nesta quinta (25) que vai submeter a uma remodelação a atração da Disneyland e sua versão para o parque de Orlando, de forma a alterar seu tema para o do filme “A Princesa e o Sapo”.

A mudança acontece sobretudo por conta das questões sobre racismo estrutural levantadas no último mês pelos protestos sobre a morte de George Floyd, que despertaram uma nova onda de críticas à atração por sua conotação com “A Canção do Sul”, longa de 1946 que atualmente se encontra fora de circulação por esforço da própria Disney por seu histórico problemático envolvendo racismo.

De acordo com o anúncio, a repaginação da “Splash Mountain” deve situar a montanha-russa num cenário imediatamente posterior ao fim da animação de 2009, com Tiana e Louis se preparando para celebrar seu primeiro festival de Mardi Gras juntos. A Disney declara que o tema será “inclusivo” com direito a “uma aventura musical”, mas não deu detalhes de quando a atração em ambos os parques será reinaugurada ao público – até porque a companhia no momento foi obrigada a adiar a a reabertura dos estabelecimentos devido à pandemia.

A história de “Splash Mountain” é tão complexa quanto à do filme que lhe serviu de inspiração. Produzido por Walt Disney na época para capitalizar em cima do sucesso de “…E O Vento Levou” (outra produção que passou por polêmicas nos últimos tempos), “A Canção do Sul” desde seu lançamento foi alvo de críticas e protestos por conta do uso de estereótipos racistas e do retrato nostálgico que promovia da época da escravidão nos Estados Unidos. O filme venceu dois prêmios no Oscar (incluindo um honorário para James Baskett, tornando-o no primeiro homem negro a receber a estatueta) e manteve-se uma fonte de lucro ao longo dos anos para o estúdio, o que acentuou a gravidade de seus problemas de representação.

O estúdio posteriormente passou a tratar a produção como “patinho feio” de seu catálogo e nunca lançou o filme em qualquer formato de home video nos EUA (incluindo agora com o Disney+), mas o legado de “A Canção do Sul” ainda permanecia vivo e – pior – rentável à companhia com “Splash Mountain”. Aberta em 1989 na Califórnia e em 1992 na Flórida, a atração reaproveitava alguns dos personagens secundários do longa e diluía toda e qualquer conexão com os temas raciais que a história abordava de forma direta, algo que desperta desde então o incômodo crescente do público sobre a montanha-russa.

Agora a única questão que permanece em todo o caso é o “banimento silencioso” do filme, cuja eliminação da disponibilidade permanece um erro dentro das decisões executivas do estúdio. Reconhecer o equívoco e permitir o acesso a “A Canção do Sul” com a devida contextualização soa como o melhor caminho a se tomar para que as próximas gerações não recaiam nos mesmos problemas.

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