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Depois de dois adiamentos, “Tenet” enfim tem lançamento suspenso pela pandemia

Estúdio deve divulgar uma nova data em breve, mas já acena para a possibilidade de que filme de Christopher Nolan não ganhe um lançamento simultâneo ao redor do globo

por Pedro Strazza

Se há um filme que viu sua reputação ficar atrelada à atual pandemia do coronavírus, este com certeza foi “Tenet”. Embora viesse dividindo com “Mulan” o cargo de filme que reabriria as atividades do circuito, a nova produção de Christopher Nolan vinha chamando mais a atenção por conta da atuação de seu diretor na decisão de forçar o lançamento mesmo em um momento onde as medidas de isolamento social e os riscos de contágio inviabilizavam as atividades nas salas de cinema.

Essa posição acaba de virar frangalhos nesta segunda (20), porém, dado que a Warner Bros. não apenas confirmou o terceiro adiamento do filme como não divulgou uma nova data de estreia, suspendendo pelo menos por enquanto a distribuição da produção. “Tenet” está efetivamente fora do calendário de lançamentos do estúdio, depois de ter a estreia marcada para os dias 17 de julho, 31 de julho e 12 de agosto.

Além do longa de Nolan, outro filme da Warner que foi adiado nesta segunda é “Invocação do Mal 3”. Anteriormente marcado para o próximo dia 11 de setembro, a terceira incursão das histórias do casal Warren agora ficou para 2021, sendo remarcado para o dia 4 de junho do ano que vem por conta de refilmagens que ainda não puderam ser feitas graças à paralisação da indústria.

Plano B

Mais interessante, porém, são as declarações do presidente da Warner Bros., Toby Emmerich, sobre a decisão. Além de confirmar que o estúdio em breve e “de maneira iminente” deve anunciar uma nova data para o longa, o executivo também declarou que a companhia “Não está tratando ‘Tenet’ como o lançamento tradicional global” e que “os vindouros planos de marketing e distribuição vão refletir isso”, acenando para a possibilidade de que a produção pode ser distribuída primeiro em alguns países para depois sair em outros que ainda estão no auge da crise de saúde – como os Estados Unidos e o Brasil.

Esse planejamento foi corroborado por fontes da Variety, que ainda declaram que o estúdio considera a possibilidade de estrear o filme em cidades onde o controle do coronavírus é maior e a curva de contaminação já foi estabilizada. Isso inclui alguns dos estados dos EUA, mesmo que os principais mercados – vide Califórnia e Nova York – estão sendo obrigados a regredir à fase rígida de isolamento social após novos disparos no número de casos.

“Nossas metas com todo este processo tem sido de garantir as maiores chances de sucesso para nossos filmes enquanto nos preparamos para apoiar os parceiros de exibição com novo conteúdo assim que eles puderem reabrir os cinemas de maneira segura” comenta ainda Emmerich no anúncio; “Nós agradecemos o apoio que recebemos dos exibidores e continuamos preparados em nosso comprometimento com a experiência cinematográfica ao redor do globo. Infelizmente, conforme a pandemia continua a proliferar, nós fomos obrigados a reavaliar nossas datas de lançamento”.

A WarnerMedia de fato era um dos poucos estúdios de Hollywood que ainda se mantinha convicta de manter parte do calendário de 2020 intacto. Enquanto estúdios como a Sony, a Paramount e a Universal remontaram seu planejamento em 2021, a companhia buscou reforçar a divulgação de “Mulher-Maravilha 1984” e “Tenet” nas últimas semanas, incluindo aí ações no “Fortnite”.

A expectativa agora é de que “Mulan” passe por um mesmo “apagão” no planejamento, conforme a Disney vinha se apoiando no comprometimento da WarnerMedia para colocar o remake no circuito. No caso da produção, ajuda muito também que a nova versão da animação corre sérios riscos de não poder ser exibido na China, que reabriu cinemas com a condição de que os longa-metragens exibidos não passem de duas horas de duração – um problema, dado que o filme orbita justamente esta faixa de tempo.

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