Blockbusters de Hollywood produzem quase 3000 toneladas de gases poluentes, revela estudo

Só metade deste número é gerado com gasolina, mas os gastos com eletricidade chegam a somar o equivalente ao usado anualmente por 34 casas

por Pedro Strazza

A cada ano que passa Hollywood torna-se cada vez mais megalomaníaca em suas produções, mas para isso acontecer é necessário não apenas um imenso volume de trabalho como um contingente humano igualmente grande. Mas qual é o impacto destas verdadeiras unidades de gente na natureza? Um estudo conduzido pelo Albert em parceria do Instituto de Cinema Britânico, a loteria nacional britânica e a Arup revela que os números são tão altos quanto a escala das histórias contas.

Publicado no fim de julho e realizado ao longo dos últimos cinco anos, a pesquisa oficialmente intitulada “Screen New Deal” busca chamar a atenção do público e da indústria ao tamanho massivo da pegada ecológica deixada pela produção dos blockbusters maiores de Hollywood. O interesse é estabelecer as bases de um debate sobre o que é possível para aliviar os danos ecológicos provocados pela criação destes sets de filmagem e (quem sabe) zerar as emissões de carbono envolvidas.

O volume de gás carbônico emitido por estas produções é um dos valores mais alarmantes do estudo, vale ressaltar. De acordo com o “Screen New Deal”, o set de um blockbuster de Hollywood em média gera o equivalente a 2840 toneladas do poluente, um número que na prática é equivalente ao gasto em 11 viagens espaciais da Terra para a Lua – ou 3,4 milhões de viagens de carro de Nova York a Londres, se preferir.

Este número escalafobético é fruto em especial dos gastos da equipe com gasolina, que é responsável por em torno da metade das emissões, mas também envolvem o uso de eletricidade nas acomodações dos trabalhadores – que é equivalente em média ao gasto anual de 34 casas, por sinal -, as viagens de avião utilizadas para transportar as unidades ao redor do globo e, é claro, o uso de eletricidade no set para fazer funcionar o equipamento necessário ao registro e captação.

De acordo com a divulgação oficial do instituto, a pesquisa aconteceu sobretudo por conta da rápida expansão da indústria no Reino Unido, que nos últimos cinco anos viu seu território se tornar sede da realização de inúmeras produções hollywoodianas de porte homérico – a Netflix e a Disney inclusive estabeleceram bases permanentes nas regiões de Shepperton e Pinewood, respectivamente.

“Nós queremos que este relatório dê início a uma conversa há muito tempo postergada com quem toma decisões importantes na indústria” escreve no anúncio o presidente de sustentabilidade da indústria da Albert, Aaron Matthews; “Conforme nós começamos a sair da quarentena, nós precisamos repensar nossa abordagem com as filmagens, e se nós simplesmente retomarmos de onde paramos nós vamos perder nossa chance de fazer o que é ecologicamente necessário”.

Você pode ler o “New Screen Deal” na íntegra aqui.

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