Amazon inflacionou preço de itens essenciais em 1000% nos primeiros meses da pandemia

Papel higiênico, sabão antibacteriano e até álcool em gel sofreram altas nos preços entre maio e junho na categoria "vendido pela Amazon"

por Pedro Strazza

O começo da pandemia do coronavírus foi marcado por todo tipo de ganância no varejo, desde o aumento do preço em produtos que da noite para o dia se tornaram salva-vidas da galera ao famigerado desaparecimento do papel higiênico das lojas. O que passou batido, porém, é que até mesmo a Amazon, cujo dono atualmente é duas vezes centibilionário, também aproveitou o momento de fragilidade social para subir o preço de itens essenciais – inclusive vendendo produtos como máscaras faciais a um preço mil vezes maior em relação ao valor original.

A informação vem do Public Citizen, um grupo de defesa dos direitos do consumidor nos EUA que esta semana divulgou um novo relatório acusando a companhia de apelar para a prática entre os últimos meses de maio e agosto. O ponto crítico é que a manobra pelo visto foi praticada tanto por terceiros dentro do ecossistema do e-commerce quanto pela própria empresa, que listou produtos como “vendidos pela Amazon” sob um valor quadruplicado e em tese rompeu com a política de preço justo de sua própria rede de varejo.

O relatório coloca a Amazon numa situação nada confortável, ainda mais porque a companhia chegou a suspender mais de quatro mil contas de vendedores no fim de março por promover exatamente as mesmas práticas desonestas. Um pacote de papel higiênico com oito rolos, por exemplo, foi flagrado sendo comercializado por US$ 36,29 pela Amazon estadunidense no início de junho, quando segundo a Public Citizen outras redes de varejo ofereciam o mesmo produto a um valor médio de US$ 6,89; o mesmo ocorreu com o sabão antibacteriano, que na plataforma de e-commerce pulou de preço para US$ 7 num momento em que todo mundo vendia a US$ 1,49.

E fica pior: de acordo com a Public Citizen, a categoria “vendido pela Amazon” chegou a aumentar em até 48% o preço cobrado por álcool em gel, uma categoria que a rede impôs uma série de restrições também em março para evitar a exploração do consumidor em tempos de desespero.

Em resposta oficial ao caso, a Amazon diz que “não há lugar para aumento de preços” na plataforma e que os sistemas do site “são concebidos para oferecer aos consumidores o melhor preço disponível”, além de declarar que o estudo detectou apenas um pequeno número de erros de precificação. “Nós repassamos os nomes dos infratores mais notórios às forças federais e estaduais responsáveis para responsabilizá-los por suas ações. Nós continuamos a monitorar ativamente nossa loja e remover ofertas que violam nossas políticas” escreve um porta-voz na declaração.

Você pode ler na íntegra a pesquisa do Public Citizen aqui.

Compartilhe: