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Qual será o perfil das novas lideranças na próxima década?

CEOs da Box e da PagerDuty conversaram no Fast Company Innovation Festival sobre o novo perfil de liderança que deve definir os próximos anos de gestão corporativa

por Juliana Vilhena Nascimento / COO da F.biz

Na semana passada, um dos painéis mais interessantes que assisti no Fast Company Innovation Festival articulou com muita precisão as mudanças que vêm acontecendo no papel das lideranças nas empresas. Aaron Levie, CEO da Box, e Jennifer Tejada, da PagerDuty, falaram muito sobre o que vem catalisando grande transformação no arquétipo do líder empresarial. 

O maior direcionador de mudança, obviamente, é a nova realidade “tech-infused” em que vivemos. O mundo pós-digital, em que a tecnologia está entremeada ao físico, cria enormes possibilidades e torna frágeis ou obsoletas nossas certezas. E o efeito que vemos, nos governos, nas corporações e nos seres humanos é a consolidação da incerteza como o nosso novo contexto – transversalmente a todas estas esferas.

Pra lidar com essa certeza da incerteza, faz-se necessário um novo arquétipo de liderança, diferente daquele “governante” tradicional, hierárquico, que muitos Estados e negócios conhecem. Espera-se que os novos líderes sejam capazes de acompanhar a fluidez deste novo momento, em que nada é pré-estabelecido ou definido. E por isso, são muitas as novas atribuições e expectativas relacionadas aos ocupantes destas posições. Aaron e Jennifer falaram de várias delas, e listo abaixo as 5 mais relevantes, na minha opinião: 

Líderes contemporâneos são multifacetados e alternam papéis o tempo todo. Passam de “Comforter in Chief” a “Executive Officers” e a “Problem Solvers” numa mesma conversa. São capazes de ler, entender e agir sobre o estado emocional dos seus times, têm maestria em definir uma visão e são igualmente habilidosos em mobilizar os times a executá-la. Como disse Jennifer, “não há tempo pra descanso pra quem ocupa papéis de liderança hoje em dia”

Justamente por esta razão, os novos líderes usualmente tem uma relação emocional, quase uma paixão, pelo que fazem – vamos combinar que trabalhar 24/7 em algo que te incomoda não é uma opção ao longo prazo, não é mesmo? Isso dá a eles boa parte da resiliência e da disposição de que precisam pra lidar com os dilemas que vem com a posição.

E como as questões que enfrentam tem se renovado a cada momento, eles deixaram de ser os “sabe-tudo” pra virarem os “aprende-tudo”. Lideranças atuais não tem a pretensão de saber todas as respostas, mas exercitam a curiosidade e cultivam espaços nos quais possam buscar respostas (são parte de grupos, buscam mentores, não param de estudar, por exemplo)

Líderes atuais estabelecem relações de confiança com os seus times. Por isso, eles não apenas lideram com base na autoridade que o cargo os confere. Suas bases de liderança são diversas, por seu viés multifacetados, e construídas a cada dia. 

Por fim, espera-se que uma pessoa numa posição de liderança, hoje, tenha ponto de vista e posição clara sobre o que acontece dentro e fora da empresa. Como diz Brené Brown, “Brave leaders are never silent around hard things” – ou em português, “líderes destemidos nunca ficam em silêncio sobre temas difíceis”.

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