David-Fincher

Depois de “Mank”, David Fincher é exclusivo da Netflix pelos próximos 4 anos

Tudo depende do desempenho da cinebiografia do roteirista de "Cidadão Kane", mas o diretor quer tratar acordo como uma forma de experimentar

por Pedro Strazza

David Fincher em menos de um mês estreia na Netflix seu próximo filme, o esperado “Mank”, mas pelo visto ainda tem muito chão a percorrer em parceria com o serviço de streaming depois que a produção terminar seu ciclo de lançamento. Em entrevista à revista francesa Premiere, o diretor confirmou que assinou um contrato de exclusividade com a companhia pelos próximos quatro anos.

O que vai ser feito nestes próximos meses está ligado ao destino da cinebiografia sobre o roteirista de “Cidadão Kane” no catálogo, porém. “Dependendo da recepção de ‘Mank’, eu ou vou me reunir com eles de forma suplicante, pedindo o que eu posso fazer para me redimir, ou vou tomar a atitude de um babaca arrogante que vai exigir fazer outros filmes em preto e branco” brinca o diretor na conversa, na qual adiciona ainda que “Eu estou lá para entregar a eles ‘conteúdo’ – seja lá o que isso signifique – provavelmente para agremiar espectadores em minha esfera pequena de influência”.

Se depender de Fincher, a meta da parceria é filmar “como Picasso pintava” – ou seja, testando ideias diferentes constantemente. “Eu gosto da ideia ter um volume de trabalho. E sim, eu admito que soa estranho, após quarenta anos de profissão, de ter apenas dez filmes na carreira” afirma, desconsiderando da conta o “Alien 3” que até hoje trata como patinho feio – ele não teve direito a decidir o corte final do longa.

A Netflix tem diversos acordos do tipo rolando em Hollywood no momento, mas o que é interessante de se observar no caso de Fincher é que o diretor aparentemente só pode realizar filmes e séries para o serviço no período prescrito. Não que chegue a ser uma grande mudança para o cineasta: desde “Garota Exemplar” em 2014, ele só tem trabalhado na cadeira de direção em programas da empresa, incluindo aí projetos como a versão norte-americana de “House of Cards”, as duas temporadas de “Mindhunter” e a animação “Love, Death & Robots”. “Mank” pode ser seu primeiro filme para o estúdio, mas é também seu primeiro longa-metragem desde a adaptação do livro de Gillian Flynn com Ben Affleck e Rosamund Pike.

Neste ponto, vale lembrar que Fincher já há algum tempo anda bastante desinteressado do calendário mainstream de Hollywood, algo que sua entrevista para a Total Film nesta semana denota bem. “A verdade é que há apenas duas temporadas para filmes: há o ‘verão do spandex’ e há o ‘inverno da aflição’. Você vai fazer seu filme para uma dessas duas temporadas, e se perder [a data de entrega] você irá cair em uma dessas outras duas temporadas, que são nominalmente terrenos de descarte” afirma o cineasta à revista.

“Mank” estreia em alguns cinemas dos EUA nesta próxima sexta-feira (13), enquanto isso, com lançamento na Netflix programado para o próximo dia 4 de dezembro.

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