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Em carta a governadores dos EUA, CEO do Uber pede por vacinação antecipada a motoristas

Dara Khosrowshashi urge estados norte-americanos a permitir que trabalhadores "continuem a exercer sua posição essencial" sem correr risco de contaminação ou transmissão da doença

por Pedro Strazza

O Uber nesta quinta (10) enviou cartas a todos os governadores dos Estados Unidos com o pedido de que motoristas e entregadores de delivery de seu aplicativo sejam classificados como trabalhadores essenciais para que sejam prioridade na vacinação do coronavírus. A escolha do remetente se dá porque cada estado do país está encarregado do plano de distribuição da vacina, embora o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomende que o primeiro lote da substância seja destinada a trabalhadores de saúde e idosos que morem em casas de cuidados.

O pedido foi confirmado pelo próprio CEO da companhia, Dara Khosrowshashi, ao The Verge. “Depois de nove meses na linha de frente mantendo as comunidades em funcionamento, nós estamos pedindo a governadores de todos os 50 estados que priorizem motoristas e entregadores de delivery no acesso antecipado à vacina” escreve o executivo.

Um documento parecido já havia sido enviado no começo da semana ao CDC, com o Uber justificando o pedido para que os trabalhadores “continuem a exercer sua posição essencial enquanto reduzindo o risco que muitos podem ter de contrair ou até mesmo transmitir o vírus”. Já na carta aos governadores, Khosrowshashi busca convencer os oficiais argumentando que a empresa tem como “remover barreiras de transporte enfrentadas por indivíduos que precisarão viajar para chegar a seus compromissos de vacinação”.

Ambas as cartas trabalham com a noção de que o Uber é bastante utilizado por trabalhadores da saúde, restaurantes e pro delivery, três frentes que tem sido de grande ajuda na manutenção do distanciamento social e da proteção do público. A grande ironia aqui, porém, é como só neste cenário a companhia reconhece os motoristas e entregadores de delivery como parte do seu corpo de funcionários, conforme em diversas ocasiões lutou na justiça para permitir que este corpo de trabalhadores mantivesse a classificação de autônomo.

Ainda há muito chão pela frente na vacinação, porém, conforme as substâncias criadas pela Pfizer e a Moderna ainda estão sendo autorizados pelos órgãos da administração. O problema é que não haverão doses suficientes para vacinar o corpo inteiro de trabalhadores da saúde antes do fim do ano, o que talvez já coloque o pedido do Uber em uma posição bem frágil.

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