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SXSW 2021: usuários já entenderam o valor de seus dados e empresas devem mudar modelo de negócios

Para o painel "Ethical Startups That Don't Monetize Your Data", uma solução é que a empresas passem a pagar um valor aos usuários pelo uso de seus dados

por Soraia Alves

Como reflexo dos debates atuais e dos casos (cada vez mais constantes) de vazamento de dados, o SXSW 2021 tem trazido muitas conversas sobre a regulamentação de dados e privacidade. O painel “Ethical Startups That Don’t Monetize Your Data”, por exemplo, realizado entre Anthony Ha, do TechCrunch, e Angela Benton, CEO da Streamlytics, Inc., abordou como os usuários já estão mais atentos ao debate sobre privacidade de dados e estão, inclusive, se tornando mais cautelosos em ceder seus dados a terceiros.

Para eles, as empresas serão obrigadas a repensarem seus modelos de negócios conforme os consumidores se tornam mais conscientes do valor dos seus dados.

Angela Benton aponta que sua empresa já atua com um modelo de negócios que deve ser a tendência adotada em breve por outras empresas. No caso, a startup Streamlytics atua com o monitoramento e a avaliação do comportamento de usuários em serviços de streaming, porém ao contrário do que é comum, a empresa paga um valor aos usuários para ter acesso a esses dados. “Acho que mais companhias de tecnologia adotarão uma abordagem assim, na medida em que as pessoas ficarem mais indignadas com o uso abusivo de seus dados.”, afirma.

O que impede um avanço mais rápido da mudança desse modelo de negócios é a ainda nebulosa explicação sobre o real valor dos dados. Embora boa parte do público já esteja ciente do assunto, muita gente ainda tem dificuldades de entender o que são de fato os dados aos quais as empresas de tecnologia e como eles são usados.

Essa clareza é fundamental, especialmente porque ajuda os usuários a definirem quais dados eles estão dispostos a ceder ou não: “Você pode querer compartilhar alguns dados pessoais específicos com uma empresa, e deve haver uma maneira de se fazer isso”.

A proposta, claro, soa como uma “solução amigável” entre usuários e empresas para evitar legislações mais rígidas sobre a proteção de dados e da privacidade dos usuários.

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