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Imagem: Adobe Stock

SXSW 2021: no mundo pós-Covid, vai ser ainda mais caro frequentar shows

Especialistas do mercado musical afirmam que quando shows e festivais retornarem, os ingressos terão os preços inflacionados

por Soraia Alves

É difícil falar em setores da economia mais afetados pela pandemia de Covid-19, afinal, absolutamente tudo sofreu grandes impactos ao longo deste um ano da presença do coronavírus no mundo. No entanto, compreendemos que algumas áreas foram profundamente atingidas diante dos novos hábitos e protocolos adotados para evitar a disseminação do vírus, entre elas a indústria do entretenimento.

Pensando no mercado musical, a maioria dos artistas tem como maior fonte de renda o dinheiro gerado por shows e turnês, uma vez que os serviços de streaming de música hoje geram muito menos royalties por suas obras. Em 2020, shows presenciais quase não existiram, com exceção de eventos nos primeiros meses do ano e de algumas apresentações adaptadas ao modelo drive-in. Agora, com o avanço da vacinação contra Covid-19 em alguns países, a indústria do entretenimento já começa a traçar os planos de retomada das atividades, porém ainda com muitas incertezas.

Esse foi o cenário debatido no painel “We Want Live Shows Again! Concerts in a Post-COVID World”, formado por Adam Shore (Driift), Michelle Cable (Panache Booking) e Tom Windish (Paradigm Talent Agency). Segundo eles, as previsões mais otimistas para os países que estão com a imunização mais avançada é que os primeiros shows ao vivo possam acontecer no final de 2021. Porém, independente de quando isso de fato aconteça, muitos protocolos ainda precisarão ser seguidos. Michelle Cable, que administra agendas e turnês de músicos na Austrália, afirma que inicialmente tudo ainda deve acontecer de forma mais específica e menos relaxada que antes: “Esperamos uma revisão completa de como trabalhamos na indústria de turnês ao vivo”, disse Cable.

Na Austrália, onde alguns eventos já estão voltando a acontecer, as organizações estão adotando o chamado “rastreamento estrito de contatos”, no qual as pessoas precisam de um histórico de isolamento social monitorado para serem liberados para o evento. Outros locais têm utilizado os “oficiais Covid”, que atuam como seguranças focados no monitoramento do uso de máscaras e do seguimento de outras medidas de segurança dentro do evento. “Esperançosamente, estaremos todos em um show, mesmo que seja mascarado e socialmente distanciado assistindo música ao vivo”, completa Michelle.

Ainda que esses protocolos sejam questionáveis, uma coisa é fato: eles têm um custo. E o aumento nos preços dos ingressos para o público já é uma realidade garantia pelos especialistas do painel. Segundo Tom Windish, que é executivo sênior da Paradigm Talent Agency, quando shows e festivais retornarem, os ingressos terão os preços inflacionados. Para ele, além dos novos custos essa inflação também acontece para “compensar” os gastos ao longo desse ano pandêmico. Espaços e casas de shows têm lutado para não fecharem de vez, por exemplo, enquanto artistas também não tiveram ganhos em 2020: “Não sei se as bandas vão dizer ‘claro, posso tocar pela metade do que costumava ganhar, sem problemas’”, disse ele. “Mas um lugar óbvio para eles conseguirem dinheiro é com os fãs. Acho que é razoável cobrar mais pelos ingressos”, completa.

Embora o tema do painel tenha sido sobre a situação das apresentações musicais ao vivo, não é difícil de imaginar que um cenário de inflação abrace toda a indústria cultural. Vale lembrar que no Brasil o acesso à cultura já é desigual, o que deve ser ainda mais acentuado no mundo pós-pandemia.

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