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Imagem: Canon Information Technologies

Escritório da Canon na China só permite que funcionários entrem depois que sorrirem pra câmera

Empresa quer garantir que trabalhadores estejam contentes a todo momento no trabalho

por Pedro Strazza

O Financial Times esta semana publicou uma reportagem detalhando como empresas chinesas tem utilizado a tecnologia por trás de inteligências artificiais para manter funcionários sob vigilância, e entre os exemplos citados a revista traz à tona uma prática um tanto distópica da parte da Canon no país. A companhia instalou câmeras na entrada do escritórios de sua subsidiária regional, a Canon Information Technology, que controlam a entrada apenas se os funcionários autorizados sorrirem para a câmera.

Se isso já não basta de problema ético, a motivação por trás do aparato movido a IA é pior ainda. De acordo com o FT, a ideia da subsidiária é garantir que os trabalhadores estejam felizes em todos os momentos do dia a dia operacional.

A prática é só uma cereja do bolo do tipo de prática que vem acontecendo na região, com empresas utilizando algoritmos para monitorar tópicos como o tipo de programas usados pelos funcionários e o tempo de almoço gasto diariamente afim de impulsionar a produtividade do trabalho. Como bem lembra o The Verge, essas práticas não se restringem ao território chinês, em especial com a Amazon continuamente apelando para ações do porte da autorização obrigatória de vigilância a entregadores e da “gamificação do trabalho”.

Da parte da Canon, a parte cruel é que a tecnologia de reconhecimento de sorrisos chegou a ser anunciada no ano passado, justamente como parte de um conjunto de ferramentas no gerenciamento do trabalho – e o fato de ter passado batida já diz muito sobre o estágio atual da relação humana com aparatos do tipo.

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