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Imagem: Reprodução

Por um mamilo, Instagram tira do ar pôster do novo filme de Pedro Almodóvar

Arte pelo visto fere diretrizes da comunidade contra nudez feminina; artista responsável pelo cartaz protesta

por Pedro Strazza

As redes sociais foram tomadas de surpresa na manhã da última segunda-feira (9) com a primeira arte de divulgação de “Madres Paralelas”, novo filme de Pedro Almodóvar. Publicado a tempo do debute do projeto no próximo Festival de Veneza em setembro, o cartaz promoveu o caos ao ter como centro a imagem de um mamilo, derramando uma gota de leite e recortado num formato que o torna similar a um olho.

Para além do design arrojado (e condizente com a trajetória artística de seu diretor), o pôster de “Madres Paralelas” também gerou um furdunço nas redes por conta das diretrizes das mesmas sobre registros de nudez feminina – para ser mais exato, o hábito recorrente do Instagram em remover publicações que exibam seios de mulheres. E depois de quase um dia de piadas e memes com a inevitável remoção da arte pela rede social do Facebook, a companhia confirmou expectativas na manhã desta terça (10) e começou a deletar Stories e posts com o cartaz.

Quem apontou a manobra foi o próprio autor da arte, o designer espanhol Javier Jaén. Em seu perfil pessoal, o artista compartilhou a tela do Instagram informando a remoção do conteúdo de seu perfil pessoal e de outros, escrevendo logo em seguida “Que vergonha, Instagram”. Jaén na sequência ainda republicou a arte, comentando que iria continuar a postar até que a situação fosse resolvida.

“Como era de se esperar, o Instagram retirou o cartaz que fizemos para o último filme de Almodóvar”, diz o designer; “Vou postar de novo. Obrigado por compartilhar”.

A situação é cômica dado o nível de zona cinzenta em que a arte de Jaén para o filme trafega. Desde 2020 o Instagram mantém a atual política para exibição de seios na plataforma, que permite nudez do busto feminino em três condições: em registros de peitos sendo abraçados, em situações que são acariciados ou aqueles em que são segurados na mão. Tudo para afrouxar o suficiente para a permissão de fotos artísticas, mas ainda barrando a pornografia.

Mas como a publicidade de “Madres Paralelas” deixa bem claro, ainda há muitas falhas na metodologia assumida pela plataforma. O interessante é que a barrada do Instagram não parece dar conta do fluxo de publicações da arte na linha do tempo: uma rápida busca na hashtag “madresparalelas” mostra que a quantidade de compartilhamentos do seio lacrimejante não foi afetada pela ação localizada da moderação.

O novo filme de Almodóvar ainda não tem previsão oficial de lançamento no Brasil.

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