10th Annual Produced By Conference – Day 1 / Day 2, Los Angeles, USA – 09 Jun 2018
Imagem: Jordan Strauss/Invision/AP/REX/Shutterstock

Com saída de CEO, Paramount Pictures vai redirecionar atenções dos cinemas para o Paramount+

Investimentos em produções voltadas para o cinema devem diminuir enquanto estúdio busca fortalecer seu serviço de streaming

por Pedro Strazza

A Paramount Pictures nesta sexta-feira (10) confirmou ao The Hollywood Reporter a saída do seu CEO e presidente, Jim Gianopoulos. No comando do estúdio desde 2017, o executivo deve deixar a posição para Brian Robbins, atual presidente da Nickelodeon e supervisor maior da divisão infantil e para família do streaming da companhia, o Paramount+.

Apesar da aparência natural de transição, porém, a mudança está prevista para marcar um grande redirecionamento do estúdio para o streaming. Fontes do THR afirmam que a entrada de Robbins no comando maior da empresa é parte do planejamento da Paramount para reduzir os investimentos em grandes produções para o cinema e priorizar todo tipo de projeto que ajude a fortalecer o Paramount+ – ou seja, produções de médio e pequeno orçamento, bem o tipo de projeto que o novo CEO administrava até aqui.

A argumentação é coerente com todo o retrospecto recente da companhia, incluindo aí a saída de Gianopoulos. Vindo da 20th Century Fox na época, ele assumiu a Paramount em um momento de crise financeira e conseguiu fazer com que o negócio desse a volta por cima pela adoção do modelo de grandes lançamentos que dominaram Hollywood na última década, incluindo o reforço de franquias estabelecidas como “Missão: Impossível” e a criação de novas como “Um Lugar Silencioso”, “Sonic” e “Top Gun: Maverick”.

A pandemia, contudo, levou o estúdio a uma nova situação limite no mercado, justo porque até o começo deste ano ela não possuía um serviço de streaming próprio e, por isso, não podia contar com a estratégia de levar esses projetos maiores a canais alternativos. Enquanto filmes como “Missão: Impossível 7” e “Top Gun: Maverick” continuam a ser adiados, a Paramount neste último ano e meio se viu numa condição de vendas seguidas de produções prontas para terceiros a fim de bancar as contas, perdendo em sequências projetos grandes como “A Guerra do Amanhã”, “Os 7 de Chicago”, “Um Príncipe em Nova York 2” e “Sem Remorso”.

Robbins, enquanto isso, chega ao cargo ancorado especialmente pelo sucesso de projetos intermediários dentro da ViacomCBS. Presidente da Paramount Players desde 2017 e da Nickelodeon desde 2018, ele esteve por trás dos bons resultados do live-action de “Dora, a Exploradora” e do filme de “Patrulha Canina”, que surpreendeu nas bilheterias nas últimas semanas ao estrear com rendimentos de US$ 13 milhões em cima de um lançamento híbrido no streaming. Em julho, ele chegou a comentar em entrevistas que sua estratégia era aproveitar franquias bem estabelecidas para revigorar a marca global da Nickelodeon.

O plano agora é aplicar essa metodologia a todo o catálogo da Paramount, de olho exatamente nos números do Paramount+. Com pouco mais de 42 milhões de assinantes ao redor do globo, mas uma estratégia de negócios focada inteira nos EUA (só ver o caso de “Infinito”, que estreou no país dois meses antes dos outros territórios), a plataforma deve aproveitar todo tipo de produção bem sucedida em sua história para reforçar o catálogo – uma manobra similar ao que a Amazon pretende fazer com a recém-comprada MGM, vale lembrar.

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