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Imagem: Reprodução “Bored Ape Yacht Club” / OpenSea

“Lil Baby Ape Club”: além de plagiados, coleção de NFTs contém traços racistas

Ela foi inspirada no "Bored Ape Yacht Club (BAYC)", outra série de tokens não fungíveis que reúne 10 mil macacos cheios de estilo

por Carolina Firmino

O metaverso, os NFTs e outras novas tecnologias com menos moderação estão trazendo algumas questões complexas para a realidade das pessoas que trabalham nesse ambiente. Dessa vez, o caso envolve o “Lil Baby Ape Club”, uma coleção de tokens não fungíveis inspirada no “Bored Ape Yacht Club (BAYC)” – uma outra série de NFTs que conta com mais de 10 mil macacos com diferentes expressões mau humoradas, com roupas e acessórios estilosos.

O Lil Baby foi idealizado por três criadores russos e deveria ter sido lançado no início de novembro. Mas, antes que isso acontecesse, outro projeto semelhante foi colocado no ar. Apesar de as artes não serem idênticas, a proposta traz os macacos com seu estilo diferenciado e revela um ponto que passou despercebido por alguns: referências racistas.

Segundo o site Design Taxi, alguns compradores estão, inclusive, arrependidos de sua compra ao saber do racismo presente nas artes, algo que não tem nada a ver com a ideia original do “Bored Ape Yacht Club”. Entre os avatares, por exemplo, estão camisetas com as palavras “Orgulho do Macaco” e suspensórios da bandeira alemã, além de peças com traços “skinheads”.

Um dos NFTs mais problemáticos é o personagem Jam Boy, que traz um pote de geleia tombado sobre a cabeça do macaco. Seria inofensivo, se não fizesse referência a histórias não confirmadas de nativos que, no passado, foram obrigados a ficar cobertos de geleia para atrair mosquitos e deixá-los longe de colonizadores britânicos ou americanos que estavam jogando golfe.

A descoberta do plágio foi feita pelo colecionador canadense da NFT Roh, que comprou três obras de arte da coleção de cópias antes de encontrar o original. Roh relatou ao site Input que, embora se pense em “inocentar” os russos em um primeiro momento, já que eles foram roubados, eles são os responsáveis pelo caráter racista impregnado nas artes.

Porém, o grupo alega que, “skinhead”, por exemplo, não é um termo com forte carga racial na Rússia, como é no resto do mundo – o que parece uma desculpa inadequada, se considerarmos a comunidade de extrema direita nacionalista atuante no país.

Apesar de toda a polêmica, até a última segunda-feira (22) os NFTs seguiam sendo vendidos – a preços exorbitantes – no mercado OpenSea. Nesta quarta (24), a página já não pode mais ser encontrada.

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