Pesquisadores apontam YouTube como responsável por alimentar chats de extrema-direita no Telegram
Imagem: Reprodução

Pesquisadores apontam YouTube como responsável por alimentar chats de extrema-direita no Telegram

Links da plataforma de vídeo seriam motor do ecossistema que aproxima pessoas com ideias conservadoras a conteúdos extremistas

por Carolina Firmino

Um estudo inédito feito no Brasil e reportado pelo jornalista Guilherme Caetano ao O Globo, identificou que o YouTube age como o motor do ecossistema de páginas e canais da extrema-direita no Telegram.

É possível acompanhar a thread explicativa pelo perfil do jornalista no Twitter:

A pesquisa, que foi coordenada por Leonardo Nascimento (UFBA), ao lado de Letícia Cesarino (UFSC) e Paulo Fonseca (UFBA), coletou 4 milhões de mensagens publicadas em 150 chats (grupos e canais) bolsonaristas no Telegram, entre janeiro e outubro de 2021, e encontrou uma avalanche de compartilhamentos de links da rede social de vídeos. Entre os sites noticiosos mais compartilhados estão: Jornal da Cidade Online, Conexão Polícia e Terça-Livre.

Segundo Caetano, a hipótese dos pesquisadores é que o Telegram, cada vez mais popular no Brasil, funcione como um propulsor para a circulação de canais pró-governo do YouTube. Para entender a situação, é importante lembrar que a plataforma remunera produtores de conteúdo de acordo com o volume de acessos de cada página: entre US$ 0,25 e US$ 4,50 para cada mil visualizações.

Assim, quem produz esse conteúdo pode ocultar o vídeo, colocando-o como “não listado”, para que não seja derrubado pelo YT por violar as políticas de uso, mas fazê-lo circular massivamente entre os chats bolsonaristas.

Vídeos mais compartilhados nos chats/Reprodução Guilherme Caetano (@guiicaetano)

Caetano lembra que o YouTube já vinha sendo apontado como um repositório central para alimentar narrativas políticas. “Por meio do sistema de recomendação de vídeos, a plataforma insufla a radicalização dos usuários, aproximando rapidamente pessoas com interesses em ideias conservadoras a conteúdos ainda mais extremistas”, explica.

Essa é a constatação de um estudo publicado por Rebecca Lewis, pesquisadora de Stanford, em 2018, com o qual corrobora a investigação dos brasileiros feita este ano em território nacional, mostrando que os aplicativos não funcionam isoladamente, mas fazem parte de um ecossistema.

Ainda sobre o papel que o Telegram pode desempenhar nas eleições de 2022 no Brasil, você pode ouvir o Braincast “Telegram e Eleições: o inimigo agora é outro?”.

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