Hebe e Nair Bello no palco do SXSW 2026?
Uma futurologista lendária e sua parceira mostraram que a conversa mais séria sobre IA pode e deve ter humor
Vamos começar esclarecendo algo importante: poucas coisas são mais fortes do que um laço de amizade longevo entre mulheres. O exemplo do título é um dos mais poderosos e gostosos de amizade pública que eu conheço. A dupla e a atriz Lolita Rodrigues protagonizavam conversas ótimas nos palcos de programas de entrevistas pelos quais passavam – contando histórias, provocando a outra, fazendo piada sobre si mesmas.
Foi isso que eu vi hoje aqui no meu segundo dia de SXSW: duas mulheres de mais de 60 anos e uma experiência enorme como futuristas tomaram o palco do evento para falar de…AI. Não é demais? E o melhor: elas se divertiram horrores enquanto faziam isso.
Uma delas é um ícone da futurologia: Faith Popcorn, a autora do “Relatório Popcorn“, que muitos de nós publicitários estudamos e acompanhamos. A outra, Sarah DaVanzo, é Chief Innovation Officer de uma das grandes agências globais de PR.
Sarah apresentou a Delph.ai, uma futurologista sintética treinada a partir do conhecimento e produção intelectual de 500 mulheres futurologistas. E ainda que pra quem já está com o olho treinado pra AI o produto não pareça tão novo, para a platéia houve um claro impacto.

Delph.ai respondeu a perguntas das panelistas e da platéia. Os temas mais interessantes que surgiram na conversa:
- A gente já conhece a AI como uma “expansora de cérebros” e como uma geradora de eficiência, produtividade, eficácia. Mas ali na sala Faith perguntou pra Delph se esta podia ser mãe das filhas adotivas dela. A AI respondeu que até sabia fazer parte das coisas que uma mãe faz, mas que não se considerava capaz de exercer o papel por completo por não ser capaz de criar conexões emocionais. Sabidinha, ela.
- Depois, foi a vez de conhecer a AI como oráculo (e até divindade!): vieram perguntas sobre se ela previa o fim da geração de conhecimento pela humanidade (subentende-se que AI assumiria este papel). A danada saiu-se bem de novo, dizendo que ela só existe porque o conhecimento humano existe – e que se ele acabar, ela obsoleta também.
Por fim, Faith ousou uma correlação (talvez previsão?) impactante: a taxa de natalidade global vem descendo ano após ano. E segundo ela, quando os dinossauros “perceberam” que iam ser extintos, as mães destruíram seus ovos – por entenderem que o futuro deles não seria bom.
Entendedoras entenderão…


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