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Swiftynomics: As mulheres já estão redesenhando a economia

Mulheres movem mercados com estratégia, mas o cuidado continua tratado como custo privado

por Juliana Wallauer / Co-Fundadora do Mamilos
Capa - Swiftynomics: As mulheres já estão redesenhando a economia
Imagem: Imagem: Agê Barros/IA

Quando uma turnê passa a valer “o equivalente a um Super Bowl” para uma cidade, fica difícil seguir tratando o consumo feminino como nicho. No painel “SWIFTYNOMICS: How Women Mastermind and Redefine Our Economy”, no SXSW, a economista Misty Heggeness parte de Taylor Swift para mostrar algo maior: mulheres não apenas compram, elas reorganizam mercados, arrastam instituições e forçam setores inteiros a se adaptar. Foi isso que cidades, NFL e marcas perceberam quando o “efeito Taylor” começou a mover turismo, audiência e receita em escala.

Heggeness argumenta que Taylor virou esse caso tão poderoso não por sorte, mas por uma combinação de autenticidade, reinvenção e estratégia. Ela construiu uma relação direta com a base, transforma produto em pertencimento e faz marketing parecer vínculo. No painel, a economista chama atenção para um ponto que vale muito além do pop: quando mulheres mudam o jogo, ainda é comum que isso seja lido como acaso, carisma ou histeria coletiva — e não como trabalho deliberado, intenção e leitura fina de mercado.

Ao recuperar a trajetória de Frances Perkins, Heggeness dá corpo histórico ao que muita mulher ainda vive hoje. Perkins casou, teve uma filha, trabalhava com políticas públicas em Nova York e ainda cuidava da mãe idosa, quando recebeu o convite para ir a Washington assumir a Secretaria do Trabalho dos EUA. Durante a Grande Depressão, tornou-se a primeira mulher a ocupar esse posto e teve papel decisivo na criação da seguridade social e do seguro-desemprego nos Estados Unidos. O que fascina Heggeness nessa história não é só o feito político. É o quanto ela revela que mulheres sempre tiveram de avançar dentro de uma sociedade desenhada na premissa de que alguém mais dará conta do cuidado — e que esse alguém, quase sempre, será outra mulher.

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Misty Heggeness

Para Heggeness, não falta diagnóstico; falta decisão. Ela defende creche universal como prioridade óbvia e argumenta que o cuidado familiar precisa ser tratado como trabalho de valor econômico real, não como obrigação invisível. Quando chama a queda da natalidade de “protesto silencioso”, ela está nomeando uma conta que já não fecha: mulheres mais escolarizadas, vivendo mais e adiando a maternidade estão se recusando a pagar sozinhas por um sistema que continua organizado contra elas.

O melhor insight de Swiftynomics talvez seja este: a economia adora reconhecer o poder feminino quando ele vira bilheteria, streaming, turismo ou NFL. Mas continua relutante em reconhecer esse mesmo poder quando ele sustenta crianças, casas, carreiras e a próxima geração de trabalhadores. Misty Heggeness usa Taylor Swift como musa, mas a tese vai muito além dela: as mulheres já estão redesenhando a economia. A pergunta é quanto tempo marcas, empresas e políticas públicas ainda vão demorar para admitir isso.


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