Thomas Jefferson não gostava de comemorar aniversários, então não dance

Thomas Jefferson não gostava de comemorar aniversários, então não dance

por Carlos Merigo

A maioria reclama da brutalidade da polícia, mas essa situação é provavelmente o sonho encantado daqueles que odeiam flashmobs e não quer estranhos atrapalhando seu almoço no shopping.

No ultimo sábado, policiais prenderam cinco pessoas no Thomas Jefferson Memorial, em Washington nos Estados Unidos. O crime? Dançar.

O mais curioso é que o flashmob – convocado através do Facebook – era justamente para protestar contra uma lei revelada na semana passada de que é proibido dançar em monumentos públicos, já que são lugares para reflexão e contemplação, e nada mais que possa distrair os visitantes dessa experiência.

Tudo começou em 12 de abril 2008, quando Mary Oberwetter e mais 17 amigos foram ao mesmo memorial, e dançaram silenciosamente (com fones de ouvido) para comemorar o 265° aniversário do ex-presidente americano.

Na época, a polícia ordenou que o grupo se dispersasse, mas eles se recusaram a parar de dançar e exigiram saber que lei estavam infringindo. Oberwetter foi presa, acusada de interferir no funcionamento de um órgão público.

Sendo assim, a corte americana no distrito de Columbia gastou 17 páginas para explicar porque Mary e seus amigos estavam errados, e não quer mais ninguém dançando feito bobo por aí. Com o aval da lei, o flashmob do sábado deu no que deu – observe como um dos policiais dá quase um pilão Zangief-style em um dos caras.

Eu entendo o discurso pela liberdade de se poder dançar onde bem entender, mas espero que os flashmobs pelo direito de se fazer flashmobs sejam mais criativos do que acabar parando na cadeia.

Mas o que eu aprendi mesmo com tudo isso é que Thomas Jefferson não gostava de comemorar aniversários. Sim, esse foi um dos argumentos da corte americana para proibir as danças em seu memorial. “O único aniversário que já comemorei alguma vez foi a nossa independência, no dia 4 de julho”, disse uma vez o terceiro presidente dos EUA.

Depois nós é que somos o país da piada pronta.

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