Comic-Con 2011: Criatividade

Comic-Con 2011: Criatividade

por Fábio M. Barreto

Errar é impensável na Comic-Con, onde cada ação bem-sucedida se espalha feito fogo em mato seco e a repetição vira piada. Descubra quais foram as ideias mais criativas de 2011!

Salvo raras exceções, não deve haver público mais exigente e especializado que os participantes da Comic-Con, convenção anual de cultura pop, quadrinhos e cinema em San Diego. Acostumado com surtos marketeiros das companhias – devotas do código hollywoodiano do: maior e mais barulhento -, não é fácil agradar esse pessoal tão bombardeado por panfletagem, outdoors, promotoras atraentes e stands grandiosos. Entretanto, dificuldade não significa impossibilidade, especialmente com os orçamentos gordos dos mega lançamentos do mercado norte-americano. No primeiro dia da Comic-Con, passeamos pela sempre lotada área de vendas – além de ficar de olho nas atividades nos arredores – para analisar os peso-pesados e, claro, achar o pessoal mais criativo.

Com o claro afastamento dos grandes estúdios, em termos de personalização agressiva e envelopamento dos arredores do Centro de Convenções de San Diego, a Comic-Con 2011 é, de longe, a mais “limpa” dos últimos cinco anos. Tudo tem razão, afinal, em 2010, a gigantesca briga entre “Tron: O Legado” (Disney) e “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (Universal), finalmente, chamou a atenção dos executivos para o retorno efetivo do investimento: ambos tiveram bilheterias inferiores ao esperado, especialmente no caso de Pilgrim.

O patrocínio externo desse ano fica por conta de “Real Steel”, drama de ficção científica da Disney (produzida pela DreamWorks SKG), estrelado por Hugh Jackman. Os robôs do filme inspirado num conto de Richard Matheson se espalharam pela cidade com pôsteres colocados em cada poste de iluminação pública. Não bastasse a presença constante, o estúdio usou sua maior arma para atingir um público imediatamente pequeno, mas com grande potencial de replicação: Hugh Jackman começou a manhã de quinta-feira na traseira do caminhão dirigido por seu personagem e, claro, ao lado dos robôs Ambush e Noisy Boy, numa ação externa que atingiu cerca 150 pessoas diretamente. Depois de responder a perguntas e brincar com os fãs, Jackman caiu nos braços da galera para tirar fotos, dar autógrafos, distribuir pôsteres e levantar a expectativa em torno do filme.

Mas como nem todo mundo pode contar com um astro do calibre de Hugh Jackman para iniciar suas ações, os standes da área de vendas – também conhecida como “feira” – apostam na panfletagem ostensiva e nas promotodas atraentes para vender seus conceitos. Mesmo no meio de tanta poluição é possível identificar as ideias mais diferenciadas. Uma delas foi da Capcom. A empresa de videogames instalou um “gritômetro” para promover o jogo “Asura’s Wrath”. O conceito é o seguinte: depois de uma longa fila, o fã entra numa cabine à prova de som e berra o mais alto possível; o público ouve apenas uma versão abafada do grito, mas um marcador de intensidade exibe a potência para o pessoal no lado de fora. Os gritos mais altos ganhavam uma mini-peruca do personagem. A maior vitória era da Capcom, cujo stand ficou concorridíssimo e despertava a curiosidade de todos os passantes.

“Star Wars” entrou na dança com um stand de produto específico, pela primeira vez, depois de anos fazendo reforço de marca. Tudo por conta do lançamento da Saga em Blu-ray. Os pacientes dignos de treinamento Jedi podiam entrar na pequena construção pintada com motivos de Tatooine – assim como a capa externa do box – e assistir a trechos dos extras que só serão lançados em outubro. Mas era apenas a ponta do iceberg do LucasFilm Pavillion, repleto de lojas e exposições, cujo destaque mais inusitado era a Volkswagen. A montadora alemã levou um veículo à Comic-Con e, pouco a pouco, permitiu que um artista de decalques transformasse a superfície branca do carro num verdadeiro painel de adoração à Saga, com direito a Darth Vader no capô e outros motivos espalhados pela funilaria. Um belo follow up do comercial do SuperBowl que ainda dá o que falar. Por falar em Darth Vader, ainda era possível “entrar” numa embalagem de action figure do personagem e tirar uma foto bancando o bonequinho do vilão.

A série “The Walking Dead”, do canal AMC (exibida pelo Canal Fox no Brasil), repetiu a estratégia de 2010 com um twist interessante. No ano passado, os fãs podiam tirar fotos dentro de uma casa cuja família foi mutilada por zumbis; agora que a primeira temporada foi um sucesso e com o anúncio da estreia do segundo ano para outubro, ficou mais fácil brincar com as referências e a empresa recriou uma cena emblemática do seriado, na qual o fã podia pegar uma serra e fazer de conta que tentava libertar o personagem de Michael Rooker de suas algemas enquanto um bando de zumbis tentava invadir o ambiente por uma porta. Além da foto, o visitante ganhava mais um prêmio: o pôster da segunda temporada!

Uma viagem no tempo também indagava os participantes do evento, afinal, de onde saíram as aeromoças da Pan Am que apareceram no evento? Embora a marca precisasse ser explicada aos mais novos, a maioria dos nerds da Comic-Con conhecia o logotipo e logo entrou em contato com a nova série do canal ABC, que será estrelada por Christina Ricci, e contará a história dos pilotos e comissárias de bordo que trabalhavam para a compania nos áureos anos 60.

Mesmo com a variedade na área interna, as grandes ações pareciam se concentrar no exterior. As paredes traseiras do estádio do San Diego Padres, time de basebol local, transformaram-se em palco para o Cirque Du Soleil. Os malabaristas da compania criaram um show vertical noturno, misturando projeções e simulando ambientes computadorizados. As calçadas e o meio fio transformaram-se em arquibancada improvisada para o espetáculo gratuito.

O simples ato de se locomover usando os habituais pedcabs, ou seja, bici-taxis, já era imersão na brincadeira. Bem, se você fosse fã da série “Game of Thrones”. A HBO personalizou vários transportes com o Trono de Ferro e os motoristas usavam camisetas temáticas. Quase nenhum deles, porém, sabia do que se tratava o programa. Continue a pedalar!

Ao lado do local onde Hugh Jackman confraternizou com seus fãs, a Warner Bros. teve uma ideia bastante prática ao transformar um caminhão de transporte em sala de cinema 3D para promover “Premonição 5”. Cerca de 40 pessoas podiam assistir a cada sessão – com duração aproximada de 15 minutos -, ar-condicionado poderoso, cadeiras confortabilíssimas e uma tela 3D de boa qualidade. Essa opção permitiu à companhia expor seu produto de forma controlada e agradável, sem submeter o público àquelas insistentes campanhas de “escaneie sua credencial e, quem sabe, talvez, num futuro próximo, você não ganhe uma chance de assistir ao filme”. Na saída da prévia, atores para todos os lados, comida na faixa, mesas de ping-pong, tabelas de basquete e dardos mantinham os participantes felizes.

Para os action junkies, o negócio era comer na festa de “Premonição 5” e visitar o stand ao lado para tentar a sorte no tubarão mecânico! Pois é, em vez do habitual touro mecânico, o pessoal de “Shark Night 3D” instalou um tubarão “domável” para testar as habilidades dos mais corajosos. Eu não fui. Mas a fila estava grande, logo, fez sucesso.

É isso! Mais tarde tem mais!

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