Behind The Brains: Neill Blomkamp e “Distrito 9”

por Carlos Merigo

Distrito 9

“Distrito 9” é uma revelação. Um filme de baixo orçamento (30 milhões de dólares) para os padrões hollywoodianos, mas que parece uma mega produção recheada de efeitos especiais. Mais do que isso, a obra do jovem diretor sul-africano Neill Blomkamp ganhou atenção e elogios da crítica pelo conteúdo político.

Neste exato momento, “Distrito 9” está cravando uma impressionante taxa de 97% de críticas positivas no Rotten Tomatoes, considerado “tecnicamente brilhante e socialmente pungente, com ação, imaginação e todos os elementos capazes de criar um clássico da ficção científica”.

O filme utiliza naves gigantes e uma rixa entre humanos e alienígenas para fazer uma alegoria sobre a segregação. Neill Blomkamp cresceu na África do Sul em meio a era do Apartheid, e mostra em seu filme a tentativa do governo, que contrata os serviços da mercenária Multi-National United, de retirar os aliens de uma área conhecida como Distrito 9, em Joanesburgo. Obviamente, esse trabalho sujo precisa dar lucro, e a MNU deixa de lado qualquer diferença cultural e bem-estar dos extraterrestres para cumprir seu objetivo.

O título do filme foi inspirado justamente no Distrito 6, uma área residencial na Cidade do Cabo que ficou conhecida por causa dos 60 mil de seus moradores que foram expulsos na década de 1970, durante o regime do Apartheid.

Distrito 9 Neill BlomkampNeill Blomkamp [foto por Wired]

Neill Blomkamp idealizou e escreveu “Distrito 9” sozinho, partindo de um curta metragem que ele mesmo produziu em 2005, chamado “Alive in Joburg”. Blomkamp entrevistou pessoas que viveram o fluxo imigratório na pele na capital sul-africana, transformando os depoimentos reais dos refugiados em uma espécie de documentário sobre alienígenas indesejados pela população local.

Mas o que mudou na vida de Neill Blomkamp para que ele conseguisse transformar “Distrito 9” em um filme de grande expectativa, investimento em marketing e com ampla distribuição? O apoio de ninguém menos que Peter Jackson.

O diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis” contatou Blomkamp para que ele dirigisse o filme baseado no game “Halo”. Como até hoje o imbróglio entre Fox, Universal e Microsoft não foi resolvido, o projeto ficou em standby. Peter Jackson resolveu então dar suporte financeiro para que Blomkamp dirigisse outro filme, justamente “Distrito 9”.

A pergunta que ficou depois disso se resumiu a uma única palavra: porque? O que fez Peter Jackson confiar no talento de um diretor novato, que além de curtas, nunca sequer tinha produzido um filme em longa metragem? A resposta é simples: comerciais.

Neill Blomkamp Halo Adidas Citroen Carbot Nike

Blomkamp era desconhecido em Hollywood, mas colecionava uma série de filmes publicitários memoráveis em seu portfolio, sem contar sua experiência com efeitos especiais e animação 3D. Sabe o famoso carro-transformer da Citroën? A direção e efeitos foram responsabilidade de Blomkamp.

O diretor sul-africano também foi o responsável por “Evolution” e “Crab” da Nike, vários filmes da campanha Adicolor da Adidas, como “Yellow”, e, principalmente, os comerciais do GP em Cannes 2008, “Halo”. Vale lembrar que em 2007, Blomkamp já havia colaborado com a Bungie Studios na criação de três curtas promocionais do jogo, chamados “Halo: Arms Race”.

Bem, e o que aprendemos com tudo isso? Que talvez não devêssemos reclamar tanto que esse dia a dia insano e anti-criativo trabalhando com publicidade não vai nos levar a lugar nenhum. Pelo menos pra Blomkamp, deve ter se cumprido a profecia feita por Peter Jackson: “Quando ‘District 9’ for lançado, o telefone dele vai tocar feito louco”.

“Distrito 9” estreia nos Estados Unidos na próxima sexta-feira, 14 de agosto, e chega no Brasil no dia 30 de outubro. Abaixo você confere o trailer:

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