Estudo mostra que representatividade negra e latina está em queda no Vale do Silício

A tecnologia avança e o racismo resiste.

por Gessica Borges

Alguns otimistas acreditam que a questão da falta de representatividade de minorias étnicas no Vale do Silício é só uma questão de tempo. Que estamos apenas em uma “pipeline” e a próxima geração de profissionais de tecnologia será naturalmente mais diversificada. Parece que não.


Um estudo feito pela organização sem fins lucrativos Ascende Foundation que examinou dados oficiais de empregabilidade de 2007 a 2015, sugere que “pessoas de cor” (termo americano usado para descrever pessoas não-brancas) são amplamente marginalizadas e negadas oportunidades de carreira na tecnologia, e ainda:  a geração millenials provavelmente não quebrará o teto de vidro para minorias.

Embora tenha havido um aumento no número de executivos negros, houve uma queda de 18% no número de gerentes negros. O número de mulheres negras na indústria declinou 13%, concluiu o estudo. Houve também um aumento no número de executivos latinos, mas a representação geral dos latinos diminuiu de 5,2% para 4,8%, o que ainda é uma fração muito pequena de líderes corporativos.

Sobre asiáticos, o estudo descobriu que eram os menos prováveis ​​entre todas as raças para se tornarem gerentes e executivos, e a situação é pior quando se trata de mulheres. Isso apesar do fato de que asiáticos se tornaram a minoria étnica com maior “entrada” na indústria da tecnologia, superando pessoas brancas. Apesar do estereótipo de que eles são sujeitos à favoritismo no universo tecnológico, parece que a regra não funciona muito bem quando se trata de evolução na carreira.

Os dados destacam ainda a necessidade de as empresas não apenas se concentrarem em práticas de contratação, mas também em esforços de inclusão e retenção para garantir que as pessoas de cor permaneçam nas empresas e tenham chances de avançar em suas carreiras, disseram os autores.

“Se as pessoas pensam que estão sendo injustamente tratadas em empresas, eles vão sair. Esse é um problema para o Vale do Silício. E o problema não se resolverá sozinho.”, disse Buck Gee, co-autor do estudo e conselheiro executivo da Ascend.

Algumas mulheres compartilharam recentemente com o jornal The Guardian suas experiências em trabalhar no Vale do Silício. E, infelizmente, o cenário de discriminação parece ser frequente, apesar de algumas iniciativas, como este projeto fotográfico, que se esforçam em demonstrar algum senso de diversidade na região.

É um paradoxo triste que, mesmo em uma área científica e profissional que denota um ar progressista como a tecnologia, o quadro de discriminação e conservadorismo ainda seja tão determinante, mas suponho que o cenário seja apenas reflexo das pessoas que, infelizmente, ainda, não são máquinas programadas para sentir empatia e respeitar diferenças, pelo contrário, carregam consigo os estigmas da ignorância que séculos não conseguiram apagar. O futuro ainda não é agora. 

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