SXSW 2018 precisa trazer o outro lado para a festa

Festival está dando voz a quem o público quer ouvir, mas talvez seja uma boa pensar em uma maior pluralidade de opiniões

por Guga Mafra

No primeiro dia do SXSW 2018 eu assisti o painel da Christiane Amanpour (Que a Juliana Wallauer comentou aqui), no qual ela foi aplaudida algumas vezes – no meio de frases, inclusive – enquanto falava de alguns insights e pensamentos (corretos, na minha opinião) sobre algumas das preocupações atuais do mundo, como relações internacionais e a presidência do Trump.

Embora eu pessoalmente concorde com as opiniões dela, me deu a sensação de que é um pouco de mais do mesmo no evento. São boas opiniões e pensamentos, mas ali, todo mundo concorda e já ouviu aquelas coisas antes. É interessante e até reconfortante ver alguém com esse background de cobertura internacional chegando a conclusões semelhantes às suas, mas a conclusão não vai muito além do aplauso, os abraços e a sensação de que não estamos sozinhos.

No ano passado, nesse mesmo auditório, o apresentador Van Jones (também da CNN) falou bastante sobre um termo sempre repetido nos comentários políticos dos EUA: o “Common Ground”, que significa o meio termo, o ponto onde todos os lados concordam – eu inclusive comentei sobre o painel na época pro B9.

Se por um lado faz sentido que o SXSW traga pessoas que sejam inspiradoras e que seus frequentadores queiram realmente ver falando num palco, por outro é importante que pessoas de outros espectros políticos estejam lá também, para que o debate realmente evolua.

Adorei ver a Christiane Amanpour e também a Kara Swisher, editora do Recode, que a entrevistou e brilhou. Mas eu realmente queria ver lá também alguém da Fox News ou algum apoiador do Trump – de preferência no mesmo palco – com a real intenção de entender um ao outro (e não só de falar mais alto). Não sei se é pedir demais, mas se tem um lugar onde isso pode acontecer, é em um festival como a SXSW.

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