Uber quer usar inteligência artificial para identificar passageiros bêbados

Patente registrada pela empresa pode ser o primeiro passo para o fim de incidentes alcoolizados em corridas

por Ana Roza

Ao que parece, o Uber detesta passageiros bêbados tanto quanto seus motoristas que limpam os carros nas manhãs seguintes. Um pedido de patente registrado em 2016 e divulgado essa semana mostra que a empresa está estudando como utilizar inteligência artificial para identificar passageiros alterados. A IA seria capaz de ler um padrão de uso e, quando o usuário fugisse muito do seu histórico, enviaria um sinal diferente para o aplicativo.

Segundo o documento registrado, a AI acompanharia a forma como o usuário se comporta no dia-a-dia, coletando dados como a velocidade de caminhada, digitação e a maneira como o telefone é utilizado. Ainda, essas informações seriam cruzadas com a hora em que o pedido da chamada, assim como local em que foi realizada. Por exemplo, se a pessoa tivesse em uma região de bares, isso aumentaria seus pontos para ser considerada “festeira”. Dependendo do quão bêbado o usuário fosse classificado pela IA, a chamada no Uber seria diferente.

No caso da patente seguir em frente, os passageiros bêbados serão guiados apenas por motoristas experientes, capazes de lidar com a “alegria extra” em seu carro. Ou, ainda, a corrida poderá demorar um pouco mais para ocorrer – dando tempo para a bebida diminuir e o que quer que tenha que ser feito seja, antes da carona do aplicativo chegar.

PROBLEMAS EVIDENTES

Essa pode ser uma forma do Uber lidar com problemas em suas corridas sem cortar totalmente passageiros que tenham tomado um copo a mais no rolê. Apesar das intenções aparentemente quase boas, essa identificação pode ser um grande problema para a empresa, que já lida com uma série de denúncias sobre abusos e roubos em seu bolso.

Em alguns casos, estar bêbado é sinônimo de estar vulnerável – e nem vamos falar como isso pode ser perigoso para as mulheres em especial. Colocar um grande sinal de alerta nesse tipo de usuário, com uma ferramenta que coleta dados para identificar seu nível de embriaguez, parece ao mínimo duvidoso.

O projeto ainda é apenas uma patente, mas problemas de segurança precisam ser levados a sério antes da inteligência artificial começar a rotular quem está animada o suficiente para ficar na listinha negra dos motoristas. Mesmo sendo uma ideia interessante, o histórico do Uber não atua ao seu favor nesse caso.

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