Museu dedicado a “James Bond” na Áustria vai deixar de fora sexismo e racismo da franquia

Curadoria do 007 Elements decidiu por uma abordagem mais “moderna e progressista” para relembrar a longeva série de espionagem

por Pedro Strazza

A marca “James Bond” tem entre seus maiores diferenciais a grande vantagem de ser uma franquia de carreira longeva nos cinemas, estando desde 1962 frequentando rotineiramente as salas de cinema de todo o globo. Se por um lado isto confere peso à “camisa” e garante que sempre haverá gente interessada em colocar novas aventuras do agente com licença para matar nas telonas – incluindo aí o futuro “007” dirigido por Danny Boyle – por outro a série de filmes também carrega diversos cenários que viveu em mais de 50 anos, incluindo aí as características de época mais problemáticas que só foram percebidas anos depois como sexismo, alguma misoginia e até racismo.

É um problema histórico que o futuro 007 Elements vai buscar resolver na base da borracha. A ser aberto no próximo dia 12 de julho nos alpes austríacos, o museu dedicado à História da franquia vai trazer todo tipo de memorabilia e memória das aventuras do personagem que não seja ofensivo ao mundo de hoje. Ao The Times, o diretor criativo da instituição Neal Callow afirma que ele e seus colegas queriam mostrar “o legado dos filmes de uma forma moderna e cientificamente progressiva”.

Entre as cenas e momentos vividos pelas diversas versões de 007 que provavelmente não devem ter lugar no museu, a maioria sem dúvida deve pertencer às encarnações de Sean Connery e Roger Moore, cuja sofisticação nas ações para salvar o mundo nem sempre eram acompanhadas de bons tratamentos às mulheres e minorias. Como bem lembra o The Guardian, cenas como a de Bond mandando o contato jamaicano da CIA ir “buscar seus sapatos” com naturalidade em “007 Contra o Satânico Dr. No”, forçando o sexo com Pussy Galore na fazenda em “007 Contra Goldfinger” ou respondendo a um indiano que ele vai “comer curry por algumas semanas” em “007 Contra Octopussy” eram comuns nas duas primeiras fases do espião britânico.

Projetado pelo arquiteto Johann Obermoser para parecer uma instalação de um vilão megalomaníaco da série (o acesso, por exemplo, será feito por teleférico), o 007 Elements prevê atrações como um restaurante intitulado Ice Q e seções dedicadas a explorar cada um dos traços característicos da franquia – você pode conferir maiores informações aqui. O ingresso para acessar as instalações e exibições do museu custará 54 euros.

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