Festival of Media Latin America: Networking é a melhor parte da coisa

por Guga Mafra

Tem um episódio do “Seinfeld” em que a Elaine cria uma loja só de muffin tops – a parte de cima do bolinho típico dos Estados Unidos – que é, de fato, a melhor parte. Só que em certo momento eles percebem que é impossível fazer só o muffin top. Para que ele exista, é importante que a parte de baixo também exista e a dificuldade de descartá-la dificulta o negócio.

Comecei esse artigo contando essa história porque passei dois dias no Festival Of Media Latin America, um evento realizado pela empresa C Squared há mais de 10 anos. É a quarta vez que participo (escrevi sobre a primeira aqui) e a cada ano que passa encontro mais brasileiros por aqui, então resolvi perguntar para eles por que despencar até Aventura – uma espécie de Alphaville de Miami – só para participar.

E a resposta é unânime: Networking. Embora o evento tenha sido patrocinado por empresas bem importantes de diversos segmentos do mercado, como ESPN, ClearChannel, Taboola, AppNexus, Fox e Spotify; embora o Facebook tenha sido a grande atração desses dois dias, mostrando uma série de produtos e cases de sucesso; e embora tenha havido conteúdo pertinentes sobre realidade aumentada e virtual, gamification, Storytelling e transformação digital; embora tudo isso, o grande muffin top do evento continua sendo o networking.

A comparação é válida porque a minha pergunta de follow up era “Ok, se o evento fosse só networking, você viria?”; – Todo mundo deu de ombros, mas no fim falou que não. É uma sensação unânime também. O conteúdo, assim como a parte debaixo do muffin, é essencial para o a parte do topo brilhar.

“O FOMLA é uma boa oportunidade para se oxigenar com cases e tendências, em um formato que traz muitas opções de conteúdos. Embora bastante comercial inclusive nas palestras, o saldo é positivo, não apenas pela atualização do mercado como também por insights gerados”, comenta Fernanda Saboya, Gerente Sênior de Inteligência de Mídia da Coca-Cola, que esteve no evento pela primeira vez. “É um ótimo evento de troca de conhecimento e networking, em que muitas ideias de negócio podem surgir. O FOM Connect possibilita ainda o agendamento de reuniões com possíveis parceiros de negócio, facilitando o networking no local”, complementa.

Alexandre Jungermann, Diretor de Marketing Digital da SAP para a América Latina, usou o mesmo termo “oxigenação” quando eu perguntei a ele sobre o motivo de empresas cederem tempo de seus funcionários e comprarem (caros) ingressos para o evento: “Essa oxigenação acontece de várias formas, todas elas de alguma maneira baseadas em absorção de conteúdos e troca de ideias, mesmo que seja um papo rápido com alguém no coffee break ou até mesmo um rápido comentário durante uma palestra”, explica o executivo. “Ao reunir uma vez por ano profissionais de uma mesma indústria, criam-se oportunidades formais e informais para que o conhecimento coletivo, que é naturalmente volátil e em constante mutação, seja “realinhado” e reequilibrado”, ele argumenta.

Todo esse conteúdo é feito obviamente de cases e produtos das marcas patrocinadoras do evento. Mas dá para perceber o esforço de curadoria do Festival em torná-lo relevante. Não faltaram os onipresentes cases de veículo+cliente, com boas apresentações das empresas de OOH e plataformas de mídia programática. Mas me chamou mais a atenção workshops apresentados pelo Facebook especificamente dando dicas de como usar suas ferramentas. O “Instagram Stories School” foi um sucesso de público e crítica e era um dos assuntos mais falados nos corredores, com os participantes colocando em prática as técnicas aprendidas ali mesmo.

O que mostra que uma certa objetividade pode fazer bem para quem quer falar nessas ocasiões. A impressão do público em geral é mais positiva quando o palestrante deixa claro que está falando de negócios, mesmo nos inúmeros conteúdos sobre posicionamento social e políticos nas plataformas que rolaram. Um destaque desse segmento foi a apresentação de Leticia Gasca, diretora do Failure Institute que falou sobre a importância de se reconhecer fracassos logo no começo do show (e vc pode ver ela falando do assunto aqui).

Uma boa inovação dos organizadores foi dividir o conteúdo em salas menores pelo local, justamente para incentivar a circulação do pessoal pelos corredores. Eu mesmo encontrei vários amigos do Brasil e da América Latina e conheci um monte de gente. Fez o evento valer a pena, pra mim e para os outros participantes também. E no final os corredores estavam tão cheios que a o discurso do fechamento do evento foi feito lá mesmo, no meio da galera, com o palco central vazio. Sinal de que o melhor da festa estava ali mesmo. E é louvável que a organização do evento reconheça isso.

Pra saber mais acesse: http://www.festivalofmedia.com/latam/

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