Web Summit 2018: Transformação digital na moda e na arte: uma realidade

Palestras com executivos da moda e de sites de crowdfunding revelam que a conexão emocional do consumidor com o produto é ponto fundamental para o sucesso de qualquer marca

por Juliana Vilhena Nascimento

O Web Summit tem duas programações específicas – uma sobre moda, e outra sobre música – que estão rendendo bons insights sobre como a tecnologia está afetando áreas mais autorais como arte e moda.

Ontem, Alexander Wang falou no Centre Stage sobre o potencial fim das “seasons” na moda: segundo ele, os dados mostram que os consumidores não compram mais coleções por temporada (até porque, vamos combinar, as estações do ano andam cada vez mais loucas rs). Ele já decretou o fim das coleções de primavera e outono – e, mais que isso, decidiu “tirar um sabático” da New York Fashion Week.

Hoje, no mesmo palco, Daniel Grieder, CEO da Tommy Hilfiger, contou que mudou seu processo de atendimento a compradores de lojas de departamento para um 99% digtal: os compradores vão ao escritório da marca, mas agora interagem com as coleções e escolhem o que querem comprar através de telas. Há apenas um conjunto de amostras de tecido apoiando o processo, pra que eles possam sentir o toque dos tecidos (enquanto a resposta háptica não for sutil o suficiente pra nos fazer sentir texturas, isso vai ser necessário).

Jillionaire do Major Lazer falou sobre o que pode ser a segunda onda de disrupção na música: IA como compositora. E se de um lado ela de fato pode substituir pessoas quando utilizada pra compor uma trilha sonora de fillme, por exemplo, de outro, a conexão humana entre artista e fã é insubstituível. Sam Yam, do Patreon, conta que na plataforma dele – uma espécie de “crowdsourcing de mecenas”, em que pessoas podem contribuir pros criadores dos quais gostam – esta relação é evidente.

Esta conexão emocional, que reflete o que está na alma dos artistas, é mesmo muito difícil de ser copiada. E é por isso que eu pessoalmente acredito que a estratégia de diferenciação pra qualquer marca passa necessariamente por ela entender seu cerne, seu propósito. Não há tecnologia ou hiperpersonalização que funcione sem significado.

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