TikTok não pediu autorização de usuário para usar seus posts em campanha publicitária

Rede social da ByteDance pelo visto não procurou influencer da plataforma antes de usar um de seus vídeos como anúncio no Snapchat

por Pedro Strazza

Uma tendência recente da publicidade lançada por redes sociais é o uso dos usuários como ferramenta de divulgação da plataforma. Quase todas as grandes do meio já apelaram para uma tática do tipo, desde o Snapchat que montou sua primeira campanha global em cima do tema da amizade e dos relacionamentos alimentados por seu aplicativo ao Twitter que vem reiterando de novo e de novo a solidez de sua comunidade enquanto negócio.

A questão inerente a este processo em teoria deveria ser obter a autorização dos usuários cujas publicações serão envolvidas na ação antes de veiculá-las, mas pelo visto nem todo mundo compreendeu esta parte. Uma reportagem do Ad Age aponta que o TikTok não teria entrado em contato com os membros de sua comunidade de vídeos para usar estas publicações em sua publicidade, o que obviamente significa que a plataforma gerida pela ByteDance não está pagando seus usuários por fornecer a base de seu material de divulgação.

A acusação maior vem de Elijah Jay, influencer de 23 anos da rede social que afirma que este vídeo – em que ele engole um balão de salsicha inteiro – teria sido usado como um anúncio de Snapchat pela companhia sem que esta tivesse lhe pedido autorização. “Ei TikTok, por que vocês estão usando meu vídeo como uma propaganda de Snapchat para promover seu aplicativo? E onde está meu dinheiro?” chegou a escrever o usuário em um post agora deletado de seu Twitter.

A situação é tensa pois além da questão de ilegalidade o TikTok em teoria lançou recentemente o Creator Marketplace, uma iniciativa que busca criar justo este link entre seus creators e o departamento de marketing da companhia. Ao Ad Age, um representante da empresa afirma que a rede social “está começando a ver mais oportunidades criativas entre um criador e colaborações de marca” e que “trabalha para garantir que eles tenham todas as ferramentas necessárias para fazer o seu melhor criativamente” na plataforma sem que está prática deixe de ser “uma experiência positiva”.

O uso publicitário do post também não encontra respaldo nos termos de serviço da plataforma, que afirma que o usuário ou o dono da conta ainda possui os direitos sobre as publicações lançadas na plataforma, mesmo que o acordo preveja que ao entrar na rede social a pessoa dá uma licença mundial “incondicional, irrevogável, não-exclusiva, sem royalties, plenamente transferível e perpétua” à companhia sobre os conteúdos.

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