Mesmo banido do Pornhub e do Reddit, pornografia ainda é responsável por 96% dos deepfakes

E de acordo com pesquisa de firma de cybersegurança, todas as publicações do tipo tem mulheres como vítimas da tecnologia...

por Pedro Strazza

Já faz pouco mais de dois anos que os deepfakes começaram a aparecer para providenciar as redes de uma nova dor de cabeça. A tecnologia capaz de inserir rostos em corpos de outras pessoas de forma bastante realista passou por um grande furdunço no primeiro semestre deste ano por conta de seu uso para a pornografia, o que não apenas fez o Sindicato de Atores de Hollywood tomar medidas legais para proteger seus membros como também levou grandes plataformas e redes sociais a banir a prática de seus meandros.

O curioso, porém, é que por mais que os deepfakes pornográficos tenham perdido redes de divulgação importantes como o Pornhub, o Twitter e o Reddit, sua proliferação ainda é tamanha a ponto de predominar com impressionante consistência na rede. De acordo com um novo relatório da empresa de cybersegurança Deeptrace, a pornografia é responsável por atualmente 96% dos vídeos do tipo, o que é um tanto inacreditável se considerar que a companhia avaliou em torno de quinze mil deepfakes espalhados pela internet.

Intitulado “The State of Deepfakes”, o estudo também aponta que o número total de vídeos da categoria praticamente dobrou nos últimos sete meses, acumulando em torno de 134 milhões de visualizações só nas quatro plataformas de deepfakes pornôs. Os fatores mais importantes por trás desta explosão de popularidade, segundo os pesquisadores, está na acessibilidade de redes neurais open-source ancoradas em sites como o GitHub, além de aplicativos para o computador e celulares junto de verdadeiros negócios que cobram algo em torno de 3 e 30 dólares por publicação concebida.

E para a surpresa de ninguém, todos os deepfakes pornográficos são voltados a mulheres. De acordo com Deeptrace, nada menos que 99% das vítimas destas publicações incluem mulheres do entretenimento, enquanto 1% se referem a jornalistas e profissionais de mídia.

No YouTube, enquanto isso, a completa ausência da categoria pornográfica sem dúvida permite uma maior diversidade de conteúdos. Enquanto a divisão por gênero fica entre 39% centrados em mulheres e 61% com homens, os indivíduos que passam pelo procedimento nas publicações da plataforma são em sua maioria pertencentes ao meio do entretenimento (81%), com uma minoria se relacionando à política (12%) e ao jornalismo (5%). Isso inclui, claro, produções como a que troca os rostos de Dwight e Jim em “The Office”, a que substitui o rosto de Henry Cavill em “Liga da Justiça” por seu próprio rosto sem um bigode digitalmente apagado ou mesmo o clipe de “1999” de Charli XCX.

O impacto menor no campo político, vale dizer, é o dado mais surpreendente da pesquisa da Deeptrace: embora cite o Gabão e a Malásia como casos de países que sofreram com a disseminação de deepfakes políticos, é fato que a maior ameaça da tecnologia no momento seja a pornografia.

A boa notícia é que já há órgãos públicos preocupados com esta questão. Seguindo o exemplo do SAG e das redes, estados norte-americanos como a Califórnia, o Texas e a Virginia já estabeleceram leis contra os deepfakes políticos e pornográficos – o primeiro inclusive lançou semana passada uma legislação que proíbe o uso da tecnologia para estes fins específicos.

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