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Graças a investimentos no HBO Max, WarnerMedia deixa de render US$ 1,2 bilhão no último trimestre de 2019

Queda nos ganhos se deve a fim de múltiplos acordos de licenciamento para exclusividade de conteúdos na plataforma, que se torna esperança da companhia para desviar da crise da TV a cabo

por Pedro Strazza

A AT&T divulgou nesta quarta-feira (29) os resultados financeiros da companhia no último trimestre e, com eles, foi divulgado uma informação de início espantosa sobre a WarnerMedia, empresa parente e fundada após a fusão com a Warner Bros.: por conta dos altos gastos com o HBO Max, serviço de streaming que se pretende lançar no próximo mês de maio, o negócio deixou de render cerca de 1,2 bilhão de dólares nos últimos três meses de 2019.

De acordo com o relatório fiscal, as perdas financeiras se devem exatamente “aos investimentos no HBO Max na forma da suspensão dos contratos de licenciamento de conteúdos da WarnerMedia”, o que significa que a queda brutal nos ganhos se deve aos filmes, séries e especiais que os estúdios da casa deixaram de fornecer a terceiros, incluindo a Hulu e a Netflix – como “Friends” e “The Big Bang Theory”, por exemplo, que foram recém-confirmados como exclusivos da HBO Max no mercado de streaming dos EUA.

A AT&T não está preocupada com esses números, porém, pois a longo prazo estes custos serão compensados com o HBO Max. Em evento para os acionistas, o CEO da companhia Randall Stephenson declarou que “Nós entregamos o que prometemos” e que a empresa começa o ano “com forte momentum no campo sem fio” graças ao lançamento cada vez mais próximo da plataforma. É uma fala que se alinha com o que o executivo disse na mesma reunião no trimestre passado, de acordo com o The Verge, quando afirmou que o streaming se tornaria “um negócio de valor para nós nos próximos quatro ou cinco anos”.

O tom do discurso é muito similar ao que Bob Iger e Christine McCarthy adotaram no início de 2019, aliás, quando expuseram as previsões da Walt Disney Company para o resto do ano que antecipava o lançamento do Disney+. Na época, o CEO e a CFO da companhia reportaram aos investidores que a empresa deixaria de lucrar 150 milhões de dólares por conta também do fim dos acordos de licenciamento – e nem é preciso dizer que a empresa deve começar a colher os frutos deste “adiantamento” já neste trimestre.

No caso da AT&T e da WarnerMedia, entretanto, esta expectativa talvez seja um pouco mais antecipada porque as companhias buscam solucionar com ele o problema dos “cord cutters”, o número cada vez maior de pessoas que tem cancelado seus planos de TV a cabo. O relatório do trimestre também indica que este índice cresceu, com a empresa reportando uma nova queda de 1,2 milhões de assinantes dos planos oferecidos pela AT&T a partir de negócios como a DirecTV e o AT&T Now – no comparativo com o mesmo período em 2018, 2019 registrou um declínio de 20% nestes números.

“Todo mundo sabe que a TV a cabo está em período de transição. É um produto maduro, mas eu gosto de onde nós estamos no momento” declarou o presidente da AT&T John Stankey na reunião com os investimentos, no qual reconheceu ainda que o futuro da companhia está na produção de entretenimento para o streaming. “O grosso da lucratividade vem de três canais: TBS, TNT e CNN. As emissoras de entretenimento no pacote não estão rendendo mais” chegou a comentar no evento, adicionando que o vital para este momento de passagem de bastão dos canais a cabo para o streaming está na produção de um “portfólio mais contido” com uma “mistura de conteúdo” de esportes e notícias.

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