Nos passos da IBM e Amazon, Microsoft passa a barrar venda de tecnologias de reconhecimento facial à polícia

Decisão é válida enquanto governo dos Estados Unidos não desenvolver uma regulamentação federal adequada à tecnologia

por Pedro Strazza

Depois da IBM na terça (9) e da Amazon na quarta (10), nesta quinta (11) foi a vez da Microsoft anunciar ao público que vai limitar o acesso a seus sistemas de reconhecimento facial pelos departamentos de polícia. A decisão se manterá válida até o momento em que o governo federal estadunidense institua uma regulação para a tecnologia, de acordo com a empresa, e acontece em decorrência dos protestos contra a violência policial e a injustiça racial no país.

A medida foi anunciada em uma coletiva à imprensa pelo presidente Brad Smith, que de acordo com o Washington Post negou que a companhia tenha vendido qualquer tecnologia do tipo a departamentos oficiais de segurança. “Nossa meta é proteger os direitos humanos das pessoas enquanto esta tecnologia é lançada” chegou a declarar o executivo no evento, ainda afirmando que o momento para a empresa é “de ouvir mais, aprender mais e, mais importante, fazer mais”.

A decisão da Microsoft difere das ações tomadas pela IBM e a Amazon, que respectivamente abandonaram o desenvolvimento e paralisaram por um ano as pesquisas na área. No anúncio, Smith elogiou o envolvimento das rivais na causa e reafirmou o compromisso com a regulação da tecnologia, à qual ele e a Microsoft estão há dois anos buscando movimentar em Washington: “Se todas as companhias responsáveis neste país cederem este mercado a aqueles que não estão preparados para tomar uma posição, nós não necessariamente vamos servir ao interesse nacional ou às vidas de negros e afro-americanos deste país” declara o executivo.

Além de acontecer poucos dias depois do envio de um abaixo-assinado de 250 funcionários contra contratos da empresa com a polícia, o impedimento também surge num momento em que a tecnologia de reconhecimento facial é encarada com muito criticismo pelo público, com estudos comprovando que os sistemas tem dificuldades para identificar pessoas com a cor de pele mais escura.

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