Nos EUA, filmes da Universal vão poder estrear no streaming no mesmo mês de lançamento nos cinemas

É o "fim" da janela de exclusividade de 90 dias das telonas sobre o mercado home video

por Pedro Strazza

A Universal Pictures e a rede de cinemas AMC Theaters anunciaram nesta terça-feira (28) um acordo que vai permitir ao estúdio lançar seus filmes no streaming nos EUA a partir da terceira semana posterior à estreia nos cinemas. O negócio é histórico e promete mudar para sempre a indústria do cinema estadunidense, dado que até hoje as relações entre distribuidores e exibidores exigiam que as produções lançadas no circuito se mantivessem exclusivas das telonas por 90 dias após o debute.

A remodelação da relação se dá sobretudo devido a um conflito iniciado em abril entre as duas empresas, conforme a decisão da Universal em adiantar a estreia de algumas de suas produções para o streaming devido à pandemia levou a AMC a banir os lançamentos do estúdio de suas salas. Como a AMC é atualmente a maior rede de cinemas nos EUA, a “permissão” concedida à Universal abre brechas para que outros estúdios e exibidores fechem acordos parecidos, especialmente porque o VOD se provou um mercado com potencial depois do grande sucesso obtido com projetos como “Trolls 2”.

Embora valores financeiros não tenham sido divulgados ao público, a Variety reporta que o acordo permite que a AMC obtenha um porcentual na arrecadação digital da Universal com qualquer um dos projetos incluídos no trato, que vale para múltiplos anos. O estúdio também terá a princípio apenas a opção de debutar essas produções num modelo “premium” de VOD, o que nos EUA seria o equivalente à cobrança de 20 dólares a locação – a janela de 90 dias se mantém por enquanto para ofertas mais baratas, incluindo valores tradicionais do mercado de 3 a 6 dólares a sessão.

Isso também não significa que todos os filmes da Universal passarão pelo novo modelo de distribuição. A expectativa de início é que o estúdio inclua no negócio produções de médio e pequeno orçamento – incluindo aí “Minions 3” e “Halloween Kills” – e mantenha jornadas mais longas nas telonas para grandes blockbusters como “Velozes e Furiosos 7” e o terceiro “Jurassic World”. É uma decisão coerente se considerar o tamanho do investimento e que o streaming ainda não provou ser capaz de compensar financeiramente o volume de orçamento gastos nestes filmes maiores.

“A experiência cinematográfica continua a ser o pilar de nosso negócio” esclarece a presidente da divisão de filmes da Universal, Donna Langley, no anúncio do acordo; “A parceria que nós forjamos com a AMC é movida pelo nosso desejo coletivo de garantir o triunfo do futuro do ecossistema da distribuição de cinema, enquanto atendemos a demanda dos consumidores com flexibilidade e opções”.

A expectativa agora é que ambas as empresas tracem acordos de distribuição similares para territórios fora dos Estados Unidos e onde a rede de cinema atua, incluindo países no Oriente Médio e na Europa. Caso dê certo – o que a essa altura soa muito provável – a possibilidade de um efeito dominó na indústria mundial é tido como certo.

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