Com crise do coronavírus, Universal opta pelo streaming para lançar novas produções

"O Homem Invisível", "Emma", "A Caçada" e "Trolls 2" sairão mais cedo no streaming nos EUA em locações de 48 horas vendidas a US$ 19,99

por Pedro Strazza

Em uma manobra histórica para Hollywood, a Universal Pictures decidiu antecipar o lançamento no streaming de diversas produções que estrearam ou que estavam para estrear nos cinemas dos Estados Unidos. A ideia, claro, é lidar de maneira direta com o coronavírus, que vem reduzindo a capacidade ou fechando salas de cinema em diversos países e prejudicando a bilheteria global.

A medida deve ser inaugurada na próxima sexta-feira, 20 de março, e inclui os recém-lançados “O Homem Invisível”, “A Caçada” e “Emma”, além do “Trolls 2” que antes da pandemia estourar estava marcado para debutar no circuito em abril – e que deve sair no formato no fim de semana da Páscoa.

Com os filmes estando há pouco tempo nas telonas ou mesmo não passado no circuito, a decisão quebra as regras da tradicional janela de distribuição do meio, que há décadas impõe que todos os lançamentos tenham um tempo de exclusividade nas salas de cinema antes de serem disponibilizadas para o home video ou streaming. De acordo com a NBCUniversal, o plano é vender locações de 48 horas nas principais plataformas com o preço de 19,99 dólares nos EUA – e o equivalente nos mercados internacionais, que ainda não tiveram planos oficiais divulgados.

O B9 entrou em contato com a assessoria da Universal Pictures Brasil sobre a possibilidade do Brasil estar incluído nestes planos de adiantamento do lançamento no streaming e, até a publicação desta nota, não recebeu nenhuma resposta. Atualizaremos a publicação conforme a distribuidora se manifeste oficialmente.

No anúncio, o CEO da NBCUniversal Jeff Shell declarou que a decisão foi tomada justamente tendo em conta “as mudanças em rápida transformação e sem precedentes na vida dos consumidores durante este período difícil” e que a companhia “irá avaliar constantemente o ambiente e a evolução das condições para determinar a melhor estratégia a cada mercado”.

O único projeto recente do estúdio que não foi envolvido no plano é “Dolittle”, que de acordo com a Deadline deve esperar o reestabelecimento do mercado chinês. Isso acontece devido ao prejuízo exorbitante gerado em torno do filme estrelado por Robert Downey Jr., cujos custos altos de 175 milhões de dólares até o momento ficaram longe de serem compensados na bilheteria.

Ainda que a pandemia tenha afetado todas as distribuidoras e redes de cinema, a Universal sem dúvida é o estúdio que mais saiu perdendo com o coronavírus. O estúdio não apenas teve que postergar o lançamento de “007: Sem Tempo Para Morrer” para o segundo semestre como viu seu maior lançamento no ano, “Velozes e Furiosos 9”, ser adiado para 2021. Em ambos os casos, os prejuízos são catastróficos, com prejuízos orçados na altura de até 50 milhões de dólares graças ao alto investimento publicitário em ambos os projetos (que rendeu comerciais de Super Bowl para ambos os projetos).

A decisão por disponibilizar mais cedo no streaming os novos filmes do estúdio, enquanto isso, abre um precedente importante em Hollywood, até porque o intervalo é muito mais curto que os habituais noventa dias de espera. A expectativa agora é saber como outros estúdios reagirão ao movimento, isolando a Universal na proposta ou tornando-a em exemplo a ser seguido.

Quem já se mostrou a favor da ideia é Cathy Yan, diretora do “Aves de Rapina” que antes da pandemia vinha sofrendo com baixa bilheteria. Em seu perfil no Twitter, a cineasta disse “não se mostrar contrária” à ideia de disponibilizar mais cedo o filme no streaming:

Embora a decisão em si seja mais drástica, a Universal não é a única a adotar medidas em relação ao VOD em Hollywood. Na última sexta-feira (13), a Disney confirmou que adiantaria o lançamento de “Frozen II” e “Star Wars: A Ascensão Skywalker” no Disney+ em favor do público em quarentena por conta do coronavírus.

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