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China classifica como “roubo” venda do TikTok nos EUA, segundo jornal estatal

Editorial do China Daily relata que país tem "diversas formas de resposta" caso administração Trump dê cabo do que se considera uma "ação de esmagamento e roubo" de tecnologia chinesa

por Pedro Strazza

Em meio a todo o caos do banimento do TikTok nos EUA e as negociações para venda da rede social por lá à Microsoft, uma parte que até o momento estava bastante silenciosa era a China. Não mais: um editorial lançado no fim da última segunda (3) pelo China Daily revela que o governo local não está nada contente com os planos de Donald Trump de forçar a desassociação do aplicativo da empresa chinesa ByteDance, chegando a classificar como “roubo” a ação federal estadunidense.

“A China de jeito algum irá aceitar o ‘roubo’ de uma empresa de tecnologia chinesa e possui diversas formas de resposta caso a administração dê cabo de sua ação de esmagamento e agarramento” escreve o editorial, que também define como bullying a atuação do governo Trump para excluir a ByteDance da equação. O processo todo é considerado pelo governo chinês uma tentativa de criar uma “nova fonte de riqueza” para os EUA e reforçar uma visão de soma zero de “americanos primeiro”, o que leva o editorial a declarar que o país não tem escolha a não ser “se submeter ou travar um combate mortal na área da tecnologia”: “Não há cenouras para promover cooperação, mas apenas varetas” chega a comentar o texto.

O editorial ainda comenta que a venda à Microsoft é vista pela ByteDance como “preferível”, dado que a empresa estaria “trabalhando ‘pelo melhor resultado'” e também procurando investidores norte-americanos para viabilizar o acordo.

Não bastando a publicação, Hu Xijin, editor do também estatal Global Times, também comentou no fim da noite de ontem em seu perfil no Twitter que a ação é “um assalto aberto” e que Trump “está transformando a antes grandiosa América em um país rebelde”.

A situação promete ficar ainda mais quente do que já está nas próximas semanas, conforme o governo estadunidense estabeleceu o dia 15 de setembro como data final para a venda da operação do TikTok no país a uma empresa local – a mesma que a Microsoft estabeleceu como limite para fechamento do acordo. Com menos de 45 dias para a realização do negócio, Trump declarou nesta segunda que a identidade do comprador norte-americano final em si não importa, mas disse em conversa com Satya Nadella que o Tesouro dos EUA deverá receber uma “porção substancial” do dinheiro envolvido na transação – uma medida que especialistas legais classificam como “não ortodoxa” e até mesmo similar a um comportamento de máfia.

É mais um capítulo na tensão geopolítica entre os dois países, que no ano passado já se viram em situação parecida com o embargo da Huawei nos EUA. O problema aqui é a natureza do conflito: se com a marca de celular a administração federal estadunidense podia argumentar sobre possíveis roubos de propriedades intelectuais e crimes do tipo, a justificativa para o banimento do TikTok ainda não está clara para além de declarações vazias do secretário de estado Mike Pompeo, que comentou há alguns dias que o aplicativo “está enviando dados diretamente ao Partido Comunista Chinês”.

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