Donald Trump pode assinar decreto que obriga TikTok a cortar laços com a China

Microsft estaria entre empresas interessadas em adquirir a plataforma caso a ordem seja emitida de fato

por Pedro Strazza

O TikTok continua no meio da briga político-comercial entre Estados Unidos e China, mas não há nenhum sinal de melhor no horizonte – muito pelo contrário, o cenário só piora para a rede social. A crise da vez agora envolve o atual presidente estadunidense Donald Trump, que de acordo com o Bloomberg está para assinar um decreto ordenando que a dona chinesa ByteDance venda a plataforma para algum elemento terceiro nos EUA.

Segundo a reportagem do veículo, a ordem pode ser emitida a qualquer momento (incluindo na data de publicação desta nota, 31 de julho) e deve acionar o Conselho de Investimentos Estrangeiros do país (CFIUS) a forçar a companhia a deixar de investir no negócio, um modelo de procedimento similar ao tocado contra o Grindr e acionistas chineses no ano passado. Em seu perfil no Twitter, o repórter da Fox Bussiness Charles Gasparino não apenas confirmou a notícia como comentou que a Microsoft estaria em conversas preliminares para adquirir a rede social.

Em resposta oficial ao caso, o TikTok declara que “está confiante com o sucesso a longo prazo” da companhia mesmo não comentando rumores ou especulações. “Centenas de milhares de pessoas usam o TikTok para entretenimento e conexão, incluindo nossa comunidade de creators e artistas que constroem sua renda em nossa plataforma” continua a empresa; “Nós estamos motivados pela sua paixão e criatividade, além de comprometidos a proteger sua privacidade e segurança conforme continuamos a trabalhar para trazer alegria a famílias e carreiras significativas a aqueles que criam em nossa plataforma”.

O decreto em tese seria o clímax de uma longa tensão que o aplicativo encara em terras norte-americanas, onde passa por uma investigação pelas mãos da própria CFIUS desde novembro do ano passado. O TikTok certamente tem se preparado para este momento, não apenas criando bases para a manutenção do negócio nos EUA – como a escolha de Kevin Mayer para o cargo de CEO – mas também em discussões internas sobre permitir que investidores estadunidenses já existentes assumissem o controle total da empresa.

Isso não quer dizer que o aplicativo esteja aceitando docilmente o tratamento no campo geopolítico. Mais cedo esta semana, Mayer fez duras críticas à concorrência por buscar plagiar as ferramentas do TikTok e isolar a concorrente como uma “ameaça chinesa” a ser combatida, além de permitir o acesso de especialistas ao algoritmo de moderação da plataforma para tentar atenuar indiretamente a situação.

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