Espólio de Arthur Conan Doyle retira processo contra a Netflix sobre emoções de Sherlock Holmes em "Enola Holmes"
Imagem: ENOLA HOLMES. MILLIE BOBBY BROWN as ENOLA HOLMES. Cr. ALEX BAILEY/LEGENDARY ©2020

Espólio de Arthur Conan Doyle retira processo contra a Netflix sobre emoções de Sherlock Holmes em “Enola Holmes”

Partes pelo visto entraram em acordo sobre a questão, que se alongava desde a estreia do filme em setembro

por Pedro Strazza

O espólio de Arthur Conan Doyle e a Netflix confirmaram na justiça nesta segunda (21) que o processo movido pelo primeiro contra a plataforma sobre “Enola Holmes” foi oficialmente retirado. De acordo com o Copyright Lately, tudo indica que as duas partes chegaram a um acordo, conforme a corte não apresentou qualquer veredito sobre o caso que envolveu as emoções de Sherlock Holmes.

Quem acompanhou de perto o lançamento do filme em setembro provavelmente ficou sabendo do processo. Embora Holmes seja hoje um personagem do domínio público e portanto sujeito a qualquer adaptação sem necessidade de pagamento de royalties, o espólio de Conan Doyle até hoje tem posse e reivindica os direitos sobre as últimas 10 histórias do escritor sobre o detetive, que teriam sido escritas depois da morte de seu filho na Primeira Guerra Mundial e dotavam o protagonista de maior “calor humano”. Esses sentimentos no caso se relacionam a 3 pontos: Holmes nestas publicações se importa mais com os outros e exibe bem menos desprezo sobre mulheres e amigos.

A partir daí, os responsáveis pelo legado do autor encaram o retrato do personagem por Henry Cavill em “Enola Holmes” como uma violação escancarada destes direitos, o que os levou a processar a Netflix e Nancy Springer, autora da série de livros no qual o longa se baseia. Empresas responsáveis respectivamente pela criação do filme e o lançamento das obras literárias, a Legendary Pictures e a Penguin também estavam incluídos no processo.

Desde que a documentação foi submetida à justiça, a defesa alegava que o espólio estava tentando obter os direitos de “conceitos genéricos como cordialidade, gentileza, empatia e respeito”, o que faz sentido se considerar que em nenhum momento a produção utilizava de histórias e personagens presentes nestas obras protegidas.

A parte mais engraçada, porém, é que todo este imbróglio de quase cinco meses de duração foi feito em cima de uma picuinha com data de validade muito próxima. De acordo com o LA Times, as últimas dez histórias protegidas pelos mantenedores da obra de Conan Doyle estão previstas para chegar no domínio público entre 2022 e 2023 – bem a tempo do lançamento de uma continuação de “Enola Holmes”, o que parece inevitável dado o sucesso explosivo do filme na Netflix.

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