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Imagem: Divulgação

Scarlett Johansson processa Disney por lançamento simultâneo de “Viúva Negra” nos cinemas e no Disney+

Atriz diz que teve ganhos prejudicados pelo estúdio após a decisão de lançar o filme nos cinemas e streaming ao mesmo tempo

por Pedro Strazza

Scarlett Johansson está processando a Disney por conta da estratégia de lançamento de “Viúva Negra”. A atriz e produtora executiva do filme submeteu nesta quinta (29) na Corte Superior de Los Angeles um processo que acusa que seu contrato para o projeto foi rompido pelo estúdio quando a companhia decidiu por distribuir o longa simultaneamente nos cinemas e no Disney+ no último dia 7 de julho.

De acordo com o Wall Street Journal, Johansson escreve nos documentos que seu contrato com a Disney e a Marvel Entertainment garantia que o longa teria uma exibição exclusiva nos cinemas, com seu salário sendo baseado em parte pela performance do projeto nas bilheterias ao redor do mundo. “A Disney de forma intencional induziu uma quebra do acordo com a Marvel, sem justificativa, em ordem de prevenir a senhora Johansson de completar os benefícios totais de seu negócio com a Marvel” diz o processo.

Ainda de acordo com o processo, os representantes legais da atriz buscaram renegociar o contrato depois que foi confirmada a nova estratégia pela Disney, mas tanto a companhia quanto o Marvel Studios não responderam qualquer uma das tentativas. De acordo com fontes do WSJ, a decisão de levar o filme ao Disney+ resultou em perdas de mais de US$ 50 milhões a Johansson.

A atriz é oficialmente a primeira criativa de Hollywood a contestar o rápido cenário de mudanças na distribuição na indústria, conforme estúdios vem apelando para mudanças bruscas de lançamento de seus principais projetos por conta da pandemia. Até o momento, o máximo de protesto que se viu no meio até o momento aconteceu na época em que a WarnerMedia anunciou o modelo de distribuição híbrida entre cinemas e HBO Max para todo o seu calendário de 2021, uma medida que gerou polêmica entre parceiros e criativos – incluindo Denis Villeneuve, Aaron Sorkin, Patty Jenkins e até mesmo Christopher Nolan, com este último ameaçando deixar de realizar seus filmes em parceria com a Warner depois de mais de uma década de colaboração.

Esse cenário se deve sobretudo em torno de como as negociações entre criativos e estúdios se dá nos dias de hoje, conforme os últimos prometem aos primeiros uma fatia dos lucros da bilheteria em troca de uma salário reduzido para viabilizar produções maiores e mais caras. Enquanto nos cinemas essa matemática se dá numa lógica de aposta tradicional – tudo depende do filme ir bem ou não no circuito – no streaming as coisas se complicaram a partir do momento em que a mensuração dos dados fica incerta e na mãos das empresas, que só divulgam dados quando lhes interessam e sem uma consultoria de terceiros.

O caso de “Viúva Negra” é ainda mais particular dado que marcou a primeira ocasião em que a Disney divulgou dados de audiência relacionados à performance de um filme no modelo de Premier Access. No dia 11 de julho, a companhia revelou que “Viúva Negra” fez US$ 60 milhões na locação premium do Disney+ durante seu primeiro final de semana na plataforma, chegando a batizar o valor como “consumer spend” para ajustar a bilheteria total da produção na casa de US$ 215 milhões.

Depois da festa em torno dos números iniciais, porém, o longa se tornou uma dor de cabeça para o estúdio. Nos Estados Unidos, o filme sofreu a pior queda de audiência da história do Marvel Studios entre sua semana de estreia e segunda semana em cartaz ao registrar uma perda de 67% nos lucros, o que levou a Associação Nacional dos Proprietários de Cinema a criticar o estúdio pela performance decepcionante e levantar questões sobre o modelo de distribuição híbrida – o projeto também ainda está para sair na China, onde já se projeta números menores pela pirataria inerente à disponibilização antecipada no streaming. Para piorar, a Disney também antecipou o lançamento de “Viúva Negra” no digital e mídia física no país para agosto e setembro, respectivamente, uma decisão que deve ter ajudado na revolta de Johansson com o completo abandono do filme pelo estúdio.

Ainda não se sabe como a Disney vai reagir à notícia do processo – o estúdio não se pronunciou oficialmente até o momento de publicação desta nota – mas a conta pode sair cara. Depois de mudar a distribuição de todos os seus filmes para a HBO Max nos EUA no ano passado, a Warner Bros. chegou a desembolsar mais de US$ 200 milhões por talento e criativo para manter os contratos em voga durante a remodelação de seu negócio para este ano.

Vale acrescentar que Johansson não é a única insatisfeita com o atual estado das coisas em Hollywood. Como bem lembra repórteres do Deadline, não são poucos os casos de atores insatisfeitos com mudanças súbitas de estratégia de lançamento nos últimos meses, desde Denzel Washington insatisfeito com o lançamento de “Os Pequenos Vestígios” na HBO Max a Mark Whalberg descobrindo apenas no anúncio ao público que “Infinite” sairia direto no Paramount+.

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