AMC lança campanha de US$ 25 milhões com Nicole Kidman para incentivar retorno aos cinemas nos EUA

"We Make Movies Better" é descrito pela empresa como maior ação do mercado

por Pedro Strazza

Enquanto a bilheteria vai e volta por conta das idas e vindas pandemia, as redes de cinema ao redor do mundo seguem na busca para convencer boa parte do público que é possível voltar a frequentar o circuito. Nos Estados Unidos, a manobra mais recente na área vem da AMC Theatres, principal rede do país, que lançou nesta quarta-feira (8) uma nova campanha capitaneada por Nicole Kidman e com um orçamento alto de US$ 25 milhões para esbanjar.

Batizada de “We Make Movies Better”, a campanha tem como peça central um comercial de um minuto estrelado pela atriz, que aparece entrando numa das salas da rede enquanto verbaliza o que, ao seu ver, torna os cinemas em uma experiência tão especial. O discurso é mais do mesmo, com o discurso da “magia da experiência” sendo entrecortado por imagens de sucessos recentes do circuito estadunidense (de “Jurassic World” a “La La Land”), mas chama muito a atenção o nível de investimento envolvido – segundo o CEO da companhia, Adam Aron, é uma manobra nunca aplicada por qualquer companhia do meio.

Nestas primeiras horas de veiculação, porém, o que chamou mesmo a atenção na campanha foi a resposta negativa do público. Conforme a pandemia recrudesce nos EUA e a imunização se mostra estagnada pelo público contrário à vacina, não foram poucos os usuários que responderam ao comercial no Twitter com questões da abordagem tomada pela AMC – que no fim repete o discurso genérico de retorno sem se posicionar perante a segurança do público neste momento.

Os pontos de debate são vários, mas passam pela decisão de exibir a atriz sozinha no cinema e sem máscara. Há também de se considerar a ironia de contratar Kidman para o trabalho, dado que ela nos últimos anos vem ganhando maior visibilidade do público norte-americano pela televisão, graças a sucessos como “Big Little Lies” e “The Undoing”. Sobra até para a inclusão do som de projetor numa exibição de cópia digital nas respostas e comentários.

Reações a parte, a campanha chega num momento importante para o mercado. Além dos resultados sólidos de “Shang-Chi” encorajarem a indústria o suficiente para que filmes tenham a estreia antecipada no circuito, as redes de cinema desde o começo do mês passado acatam imposições estaduais e municipais para exigir comprovantes de vacinação dos clientes, uma medida que pode ajudar o meio a reconquistar a confiança do público após meses de reaberturas motivadas pelo financeiro.

Em termos publicitários, porém, é cada um com sua ação equivocada pelo visto.

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