Canva lança campanha nos EUA com culto fictício a esquilos
Campanha "The Squirrelites", criada pela Quality Meats, planta comunidade fictícia no Brooklyn Bridge Park antes de revelar a marca; no Brasil, a mesma mecânica gerou 67 milhões de views com Gracyovos
No Brasil, foi uma marca fictícia de ovos de luxo da Gracyanne Barbosa. Nos EUA, é um culto fictício a esquilos no Brooklyn Bridge Park. A culpa é do Canva, nos dois casos.
A campanha “The Squirrelites”, criada pela Quality Meats e dirigida por Ulf Johansson (Smith & Jones Films), é o primeiro grande movimento do Canva no mercado americano usando o playbook que a empresa testou e refinou no Brasil ao longo de 2025. A mecânica é a mesma: planta algo fictício no mundo real, deixa viralizar, revela o Canva como a ferramenta que tornou possível.
Na semana passada, uma estátua de esquilo apareceu no Brooklyn Bridge Park. Um grupo chamado “The Squirrelites” ofereceu tours temáticos, performances e produtos com estética de esquilo. Influenciadores produziram conteúdo. OOH e posts nas redes sustentaram a narrativa. Ninguém sabia que era Canva.

A revelação veio hoje (4) com o filme principal. Uma mulher tem um momento de inspiração ao ver um esquilo. Usa o Canva pra criar posters, merchandising, identidade visual. A ideia escala rápido: de um lampejo na cabeça pra uma comunidade de adoradores com estátua, eventos e produtos. O arco é exagerado mas familiar, é exatamente como movimentos de nicho surgem na internet quando a estética é profissional o suficiente pra parecer real.
Tagline: “Canva, the thing that makes anything a thing.”. Algo como “Canva, a coisa que faz qualquer coisa virar coisa.”
O conceito que chegou aos EUA foi construído no Brasil. A sequência:
Jacquin (junho 2025): “JaCanva” transformou o sotaque do chef em campanha sobre legendas automáticas. O mais direto dos três — celebridade + feature de produto.
Xuxa (novembro 2025): “XSPA — Xuxa Só Para Adultinhos” criou uma linha fictícia de produtos (papéis de divórcio com cheirinho de morango, Air Fryer da Xuxa). Ultrapassou 50 milhões de visualizações. A revelação do Canva veio depois que o buzz já estava instalado.
Gracyanne Barbosa (novembro 2025): “Gracyovos” criou uma marca fictícia de ovos de luxo. A internet comprou. Veículos de imprensa noticiaram como verdade. 67 milhões de visualizações em 48 horas. O GOV.BR fez paródia. A campanha inteira foi feita por 10 pessoas do time interno do Canva no Brasil, sem agência.
Agora, nos EUA, esquilos no Brooklyn Bridge Park. Mesma mecânica, outro mercado. Talvez sem aquele molho brasileiro capaz de fazer a campanha entrar, de verdade, nas conversas.
A premissa central é sempre a mesma: o Canva torna qualquer ideia profissional o suficiente pra parecer real. E a prova é que as pessoas acreditam antes de saber que é campanha. Kristine Segrist, head global de marketing de consumidor do Canva, explicou a lógica:
“A qualquer momento, existem centenas de ideias presas na cabeça das pessoas que nunca veem a luz do dia — não porque não são boas, mas porque nem todo mundo tem as ferramentas pra dar vida a elas.”

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