Média de tempo do usuário no Facebook caiu 26% nos últimos dois anos, aponta estudo

Maior responsável é o crescente número de redes sociais de nicho, que dividem atenção do usuário e devem se tornar tendência dos próximos anos

por Pedro Strazza

O número de problemas do Facebook na mídia pode continuar a crescer graças a questões com a Libra, a publicidade na política, as mentiras sobre os números alcançados pelos vídeos e mesmo os vazamento de dados, mas a verdade é que enquanto negócio a companhia de Mark Zuckerberg tem um problema vital para lidar no momento: a debandada e desinteresse exponencial da gigantesca base de usuários em sua rede social.

A confirmação vem de uma pesquisa conduzida recentemente pela Activate Inc., que aponta que o Facebook nos últimos dois anos segue em um rumo contrário de outras grandes plataformas. Enquanto redes como o Twitter, o Snapchat e mesmo o Instagram que é de posse da companhia de Zuckerberg conseguiram manter seu tráfego estável, o Facebook perdeu cerca de 26% do engajamento médio por usuário, deixando de ver o público usar sua plataforma por 14 horas ao dia para ver apenas durante 9 horas ao dia.

Ainda que se mantenha central no meio, a rede social curiosamente se mantém forte por conta justamente do Messenger, que em uma combinação direta com a plataforma-mãe ainda mantém o site nos mesmos níveis de 2017. A ameaça maior no momento vem do TikTok, cujo rápido crescimento entre as populações mais jovens permitiu que o app da ByteDance conseguisse superar os números de retenção solo do Facebook.

Embora a causa a princípio seja assimilada à crescente desconfiança que os usuários vem sentindo com a companhia de Mark Zuckerberg (em especial depois do escândalo do Cambridge Analytica), a maior causa para a perda do domínio amplo do Facebook sobre os competidores é de acordo com a Activate a explosão de redes sociais menores e sua assimilação pelos usuários. Só nos EUA, a entidade afirma que cada cidadão hoje possui uma média de 5,8 contas em plataformas diferentes, uma informação que sem dúvida resulta na fragmentação de tempo gasto com cada site – e isso inclui desde as grandes até plataformas de nicho como o Wattpad, o Product Hunt e o High There, que devem se revelar uma tendência maior dos próximos anos.

O Facebook naturalmente já está ligado disso, algo que se nota não apenas no esforço da companhia em ligar seu nome aos outros aplicativos que possui como no número crescente de novidades anunciadas para estas plataformas. O desafio, porém, é como fazer esta transição para os negócios ramificados de forma suave: é bom lembrar, nos EUA a maioria do público hoje não tem consciência de que a rede social de Zuckerberg é dona de redes como o Instagram e o WhatsApp, uma questão de branding que a longo prazo pode se revelar bastante prejudicial caso um novo escândalo estoure na mídia.

Compartilhe: