Social Media 14 out 2019

Facebook inflou visualizações de vídeos na plataforma em até 900% (e recebe punição leve por isso)

Empresa valorizou espaço publicitário para competir no mercado, adulterando índices de visualizações em vídeos de promoções pagas

Facebook inflou visualizações de vídeos na plataforma em até 900% (e recebe punição leve por isso)
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Há alguns anos, o Facebook começou a investir em sua plataforma de vídeos. A novidade não surpreendeu, já que, nessa década, o YouTube e o Instagram são as redes sociais que mais cresceram na internet, e são justamente as duas mais utilizadas para compartilhamento de vídeos.

O Facebook, portanto, decidiu investir no mercado para seguir essa tendência das redes sociais que é o consumo em massa de vídeos. De acordo com o The Hollywood Reporter, porém, a empresa de Mark Zuckerberg adotou uma estratégia bastante trapaceira para impulsionar sua plataforma de vídeos. O Facebook adulterou métricas para inflacionar em até 900% o alcance e as visualizações de vídeos de propaganda paga.

O caso começou quando diversas agências de publicidade procuraram o tribunal federal da Califórnia, alegando que a gigante das redes sociais superestimava o tempo médio que os usuários passavam assistindo a seus anúncios pagos.

A intenção da empresa ao exagerar os índices de visualizações de seus vídeos foi valorizar o espaço publicitário disponível neles. Com mais visualizações, mais patrocinadores pagariam para expor suas marcas, produtos ou serviços nas plataformas da empresa. Sites com reprodutores de vídeo próprios, como o College Humor e o Funny or Die, também acabaram movendo seu negócio para a rede social à espera de maior retorno financeiro no processo.

Ao fim do processo, o Facebook foi condenado a pagar apenas 40 milhões de dólares para resolver o problema. A maior parte do dinheiro irá para as empresas que contrataram os serviços e processaram a empresa, enquanto em torno de 30% do valor será destinado aos agentes legais que trabalharam no processo. A maior parte do texto final do processo não está acessível ao público, mas o fato de a empresa pagar um valor tão baixo em um processo sigiloso levanta a preocupação com a possibilidade de a empresa sair impune diante de um crime tão sério.

No processo, o Facebook foi acusado de ter conhecimento de que suas métricas estavam sendo mal calculadas e divulgadas erroneamente na imprensa, mas não tomou nenhuma atitude perante esses fatos. "As métricas médias não eram inflacionadas apenas por 60% ou 80%, e sim de 150% até 900%", diz o processo.

Diante do cenário, o Collider sugere que há a necessidade de regulamentar a empresa. A ideia é que o Facebook deveria prestar contas para o Estado, pois, hoje, quase toda empresa ou pessoa depende do Facebook, de certa forma – já que a companhia também é dona do Instagram e do WhatsApp – e é perigoso viver em uma sociedade na qual parte majoritária das pessoas utilizem uma rede social que aja sempre de maneira escusa.

Outra discussão importante levantada pela questão é se o Facebook esconde ou manipula outras métricas. É sabido, por exemplo, que nos últimos anos a empresa reduziu em muito o alcance das páginas, pressionando as páginas a pagarem para que seu conteúdo chegue aos assinantes e seguidores. O resultado dessas publicações impulsionadas, porém, seria também manipulado?

Questões como essa só poderiam ser respondidas caso a empresa seja obrigada a prestar contas para a sociedade de forma direta no que tange suas métricas e políticas operacionais.

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Matheus Fiore

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