Spotify vai começar a usar dados dos usuários para vender anúncios em seus podcasts

Estratégia por enquanto só vale para os programas originais da plataforma e prevê uso de informações como localização, tipo de aparelho e idade do ouvinte para segmentar publicidade

por Pedro Strazza

Depois de passar 2019 inteiro buscando firmar suas bases no mercado de podcasts (em especial após a compra da Gimlet e do Anchor), o Spotify naturalmente quer ampliar seus ganhos na área. E o jeito para viabilizar isso será mesmo pelo uso dos dados de seus usuários: de acordo com o The Verge, a companhia pretende começar a usar todo tipo de informação disponibilizada por seus clientes para ajudar a direcionar os anúncios certos aos públicos dos programas exclusivos e produzidos pela empresa.

A estratégia obviamente já serve de teste para uma possível expansão para podcasts não possuídos pela empresa e mira sedimentar ainda mais a plataforma como centro do mercado, devendo usar todos os recursos tecnológicos do streaming para obter os resultados de audiência e interesses mais específicos possíveis. Intitulado “Streaming Ad Insertion”, o “algoritmo” funciona mais ou menos como o voltado para publicidade na parte de música, permitindo que o Spotify aproveite dados como localização, tipo de aparelho e idade do usuário para definir o tipo de anúncio ideal para cada conta.

Sim, é isso mesmo que você leu: mesmo se duas pessoas estiverem ouvindo o mesmo episódio, os anúncios que elas vão receber no meio do programa podem não ser idênticos.

De acordo com o Spotify, a ferramenta ainda usa informações como “impressão real do anúncio, frequência (número de vezes que o ouvinte ouviu o anúncio), alcance e informações anônimas do público-alvo (idade, sexo, tipo de dispositivo).”. A companhia declara que já conduziu testes com a Puma no podcast “Jemele Hill Is Unbothered” e reporta que o engajamento do público com as peças publicitárias usadas aumentou em 180%.

A tecnologia de “ad insertion” também não deixa de representar uma evolução dos questionários que a companhia passou a rodar entre seus usuários em meados de dezembro para descobrir os podcasts preferidos da galera, inserindo um algoritmo especial no esforço de tentar conectar as diferentes audiências do meio com os produtos vendidos que podem vir a lhe interessar. A base de ouvintes, enquanto isso, só aumenta: em outubro do ano passado o Spotify chegou a emitir em seus relatórios trimestrais que o público de podcasts tinha passado da marca dos 113 milhões.

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