LEGO lança “O Beijo” de Klimt, seu maior set de arte, em collab com o Museu Belvedere
Maior set da linha Art Masterpiece até hoje, com 4 mil peças, a obra mais famosa de Klimt foi desenvolvida com a curadoria do museu de Viena onde o original está pendurado

A LEGO transformou a pintura mais dourada da história da arte em 4.000 peças. O Beijo, de Gustav Klimt, vira o maior set já lançado na linha Art Masterpiece, desenvolvido em parceria com o Museu Belvedere de Viena, onde o original está permanentemente pendurado. Sai em 1º de agosto para membros do programa Insiders e em 4 de agosto para o resto do mundo, por US$ 299,99.

O objeto tem 60 por 54 centímetros e ataca o desafio óbvio da empreitada: como fazer folha de ouro com plástico. A resposta foi textura. Espirais, flores e círculos decorados, peças metalizadas, etc. O relevo tenta fazer o trabalho que o dourado fazia na tela, e o casal enlaçado emerge em camadas.
Não é brinquedo, obviamente. O set é 18+, vem com sistema de fixação na parede e um truque de museu no manual, uma peça que se destaca pra você marcar o ponto do furo antes de pendurar.

A colaboração entre marca e museu foi de verdade, não é só um logo na caixa. Stephanie Auer, curadora de arte dos séculos 19 e 20 do Belvedere, sentou com Milan Madge, designer-mestre da LEGO, pra discussões que ela descreve como extensas sobre o simbolismo, a ornamentação e a técnica de Klimt — e sobre como traduzir a planura característica da Secessão de Viena pra um objeto tridimensional de tijolinhos de plástico. Dessas conversas saiu também um podcast, disponível junto com o lançamento, em que os dois destrincham o legado do pintor e o processo de adaptação. A sugestão da marca é ouvir enquanto monta.

Por que importa: O Beijo está em domínio público faz um século, e qualquer empresa pode estampá-lo de graça em caneca, quebra-cabeça ou bloco de montar. O que o Belvedere colocou na mesa foi o que não se copia: a curadora nas reuniões, a fidelidade vistoriada por quem guarda o original, a assinatura de museu num produto de estante.





É um movimento de mão dupla. A LEGO ganha a legitimação que separa "reprodução licenciada" de "souvenir de aeroporto", e o museu descobre um público que talvez nunca tenha pensado em pisar em Viena. A instituição percebeu que seu ativo mais licenciável não é o acervo, é a autoridade sobre ele.
LEGO Art Mona Lisa
R$ 1109 A irmã mais velha do set de Klimt — mesma linha, mesmo dilema do rosto em bricks que contamos aqui. Última unidade no estoque da Amazon, aliás.
O set completa também um ciclo que a LEGO vem construindo com paciência na sua linha adulta: a montagem como ritual. Você compra a obra, executa a obra ouvindo um podcast sobre a obra, e pendura o resultado com direito a gabarito de furo. O comprador vira o último artesão da cadeia (e paga pelo privilégio).



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