Com preço adicional de locação, “Mulan” será lançado direto no Disney+ em setembro

Estúdio pretende lançar o filme em cinemas selecionados onde a plataforma ainda não está disponível, mas preço no streaming será de US$ 29,99

por Pedro Strazza

[Atualizado dia 05/08 com novas informações sobre a venda do filme no Disney+]

A Disney confirmou nesta terça (4) durante uma reunião com investidores que “Mulan”, o aguardado remake da animação dos anos 90 comandado por Niki Caro, será lançado no Disney+ no próximo dia 4 de setembro. O longa-metragem só poderá ser acessado a partir de uma locação extra de US$ 29,99 na plataforma e marca a primeira ocasião neste período de pandemia em que um estúdio decide debutar no streaming uma produção de grande orçamento.

[ATUALIZAÇÃO: 05/08, 10h45] Ao /Film, um representante do estúdio confirmou que o valor cobrado pelo serviço será para a compra do filme em definitivo, desmentindo a informação divulgada previamente que “Mulan” seria vendido em formato de locação de 48 horas. [FIM DA ATUALIZAÇÃO]

De acordo com o vindouro CEO da companhia Bob Chapek, a companhia pretende também estrear o filme em “cinemas selecionados” onde o serviço de streaming ainda não foi disponibilizado – o que inclui a América Latina, que a princípio mantém firme a agenda de debute da plataforma para novembro. “Nós achamos que seria importante encontrar maneiras alternativas de trazer [‘Mulan’] em uma forma única” chegou a comentar o executivo no evento.

A decisão certamente soa como mais um golpe ao modelo tradicional de distribuição nos cinemas, que há uma semana viu a Universal Pictures e a AMC Theaters reduzirem drasticamente a janela de exclusividade do circuito e há duas a Warner Bros. suspender o lançamento global de “Tenet” para promover estreias em países e cidades localizadas. É também um grande teste de fogo para o Disney+, que neste momento de pandemia se tornou a única fonte de renda estável à companhia – que relatou quedas drásticas de faturamento em relação ao ano passado – e acumula hoje em torno de 60,5 milhões de assinantes pagos.

O mais importante, porém, é que a manobra põe fim a uma longa trajetória de “Mulan” em relação à sua distribuição, que desde o início da pandemia sofre com adiamentos. Foram nada menos que três tentativas de estrear a produção nos cinemas antes da Disney seguir os passos da Warner e suspender em definitivo a estreia mundial para repensar a estratégia. É um processo gerado em parte pelo fato do filme estar pronto para sair (faltavam semanas para a estreia quando a pandemia se efetivou no globo), mas também pelo interesse da companhia na bilheteria chinesa do remake – que ainda não conseguiu reabrir e portanto restabilizar o circuito.

Resta saber agora se a Disney está de fato interessada em abdicar do circuito durante a pandemia ou se “Mulan” é apenas um fato isolado na história da companhia. No evento com investidores, os executivos do estúdio desviaram de perguntas envolvendo a Plus e “Viúva-Negra”, um indício de que o desempenho do remake da guerreira chinesa deve selar o destino da relação com os exibidores.

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