Gustavo Souza, diretor de soluções publicitárias do Google Brasil
Pela primeira vez, a Copa do Mundo inteira vai estar de graça numa plataforma digital. Todos os 104 jogos. No YouTube. Via CazéTV.
A Globo transmite parte dos jogos. Mas 50 partidas vão estar exclusivamente no YouTube. É a primeira Copa digital-first da história e o Google montou a maior operação de dados que já fez pra futebol no Brasil pra provar pros anunciantes que funciona.
A empresa apresentou a operação em evento em São Paulo pra o mercado publicitário, três semanas antes do torneio começar. Foram debatidos três pilares: acesso (todos os jogos de graça), conexão (CazéTV como comunidade) e inovação (IA medindo tudo). O terceiro pilar é onde está a notícia pra quem trabalha com comunicação e marketing.
Os dados vêm de pesquisa do Google com a Offerwise (duas ondas, 2.000 e 1.000 respondentes) cruzada com Google Trends.
A média de seleções que cada brasileiro pretende acompanhar é 5,4. Argentina (36%) e França (36%) são as mais citadas depois do Brasil.
O interesse por futebol internacional mudou. 47% dos brasileiros já acompanham a Champions League. 38% acompanham a Premier League. O acesso ao futebol europeu pelo YouTube e streaming criou intimidade com jogadores de outras seleções. Cristiano Ronaldo lidera as buscas com folga nos últimos 90 dias, seguido por Messi, Mbappé, Haaland, Harry Kane.
Fenômeno inédito dessa Copa: entre 30 e 40 jogadores do Brasileirão vão representar outras seleções. Em 2022, foram apenas 7. Memphis Depay (Corinthians) joga pela Holanda. Arrascaeta (Flamengo) joga pelo Uruguai. Gustavo Gomez (Palmeiras) joga pelo Paraguai. Isso significa que o torcedor brasileiro tem motivo pra assistir jogos de seleções que nunca acompanharia.
Gabriela Arthur, líder de insights estratégicos do Google:
“Esse é mais um elemento para fortalecer o interesse dos brasileiros por jogos além dos da Seleção. Será possível ver ídolos de times brasileiros entrando em campo para defender seus países. E parte dessas partidas só estarão disponíveis de graça na CazéTV, no YouTube.”
43% dos 104 jogos caem entre 19h e 23h — horário nobre. Bem diferente da Copa do Catar (2022), onde os jogos aconteciam durante o expediente.
No dia da convocação (18 de maio), Neymar foi oito vezes mais buscado no Google que qualquer outro jogador convocado. A atenção sobre ele é desproporcional — mas não é unanimidade. Em pesquisa de preferência por convocação, aparece em 7º lugar (46%), atrás de Vini Jr. e Endrick. O público busca por curiosidade e polêmica, não por consenso.
O ranking de buscas por jogadores brasileiros: Neymar (1º), Vini Jr. (2º), Endrick (3º), João Pedro (4º — não convocado, gerou conversa), Rainer (5º), Everton (6º), Lucas Paquetá (7º), Casemiro (8º).
A TV conectada (smart TV) é o dispositivo que mais cresce no consumo do YouTube nos últimos cinco anos. Em 2024, o total de horas assistidas na CTV ultrapassou todos os outros dispositivos. Mais de 50% do tempo de esportes no YouTube já é na smart TV. 99% das TVs vendidas hoje são conectadas. E a Copa é o maior evento de vendas de TVs do varejo (maior que Black Friday, por exemplo).
O Google posiciona 2026 como a “Copa do Streaming.” A diferença pra Copas anteriores: o YouTube é a única plataforma onde o torcedor pode começar a ver o jogo no celular durante o trabalho, continuar no computador e terminar na TV de casa. Mesma plataforma, mesmo conteúdo, três telas. E 80% dos espectadores assistem com o chat ao vivo ativo, uma interatividade que a TV linear não oferece.
O Google promoveu o que consideram o maior projeto de dados que já fez pra futebol no Brasil. Chamam de “YouTube Brand VAR” — o VAR do marketing. São mais de 190 entregas de mensuração em oito semanas pra 11 cotistas patrocinadores. Quatro pilares: audiência, mensagem, marca e intenção de compra.
A parte mais ambiciosa é a mensuração de efetividade criativa. O volume de conteúdo publicitário é imenso: 104 jogos, cada transmissão com mais de quatro horas ao vivo na CazéTV, 11 cotistas, mais toda a cauda longa de conteúdo pós-jogo. Como medir isso manualmente seria impossível, o Google resolveu com dois recursos combinados.
Primeiro: o histórico de buscas no Google Search por marca e categoria, monitorado minuto a minuto, antes e durante a Copa, em dias com e sem jogo.
Segundo: o Gemini (IA do Google) assiste todas as horas de transmissão, identifica cada inserção publicitária, descreve como o narrador apresentou a marca (se tinha preço, se era integração sutil, se usou linguagem do jogo), e categoriza contra mais de 70 atributos de melhores práticas criativas.
O cruzamento dos dois é que revela correlações em tempo real. Se o Casimiro menciona uma marca e o volume de buscas por ela sobe imediatamente, o sistema captura. O anunciante, então, recebe relatório respondendo perguntas concretas: oferta direta funciona melhor que integração sutil? Falar a “língua do jogo” (tipo “vamos escalar a marca”) gera mais busca que usar linguagem proprietária? Em jogo do Brasil, que tipo de publicidade performa melhor? Em jogo de outra seleção, muda?
Gustavo Souza, diretor de produtos e soluções publicitárias do Google Brasil:
“No YouTube, audiência é apenas uma das entregas. Saímos da era do alcance genérico para a era da intenção mensurável. Nosso objetivo é que o YouTube Brand VAR faça parte de todos os nossos pacotes de futebol.”
Plataforma de insights em tempo real pra anunciantes. Durante os 39 dias de Copa, os cotistas recebem relatório diário: os jogos terminam à meia-noite, o Gemini processa durante a madrugada, e às 8h da manhã seguinte o relatório está pronto. Top jogadores comentados, seleções em alta, tendências de última hora, oportunidades de conversa.
O Google eixibiu uma amostra do dia da convocação. Além da discussão óbvia sobre Neymar, apareceu volume relevante de conversa sobre moda (uniformes da seleção), reações de famílias e bastidores. Marcas de categorias que não são naturalmente ligadas a futebol — moda, alimentação, entretenimento — podem usar esses insights pra entrar na conversa no mesmo dia.
O YouTube Shorts foi lançado em 2021 e na Copa de 2022 ainda estava maturando. Em 2026, 70% dos canais do YouTube já produzem vídeos curtos. 42% dos brasileiros querem assistir conteúdo de vídeo depois da transmissão oficial. Dessa forma, o pós-jogo no YouTube — comentários, análises, memes, reações — pode gerar audiência tão grande quanto a transmissão ao vivo.
O Google espera que a IA generativa amplifique a criação de conteúdo de torcida. Trends que já estão aparecendo: figurinhas geradas por IA, montagens de arquibancada, recriações nostálgicas (como Pelé jogando com Neymar) e cenários hipotéticos (como seria Neymar em 2036). Formatos simples que qualquer pessoa cria com ferramentas de IA e que viralizam por engajamento, não por produção.
Por que importa: “Sei que tem gente assistindo, mas como sei que deu resultado?”. Essa sempre foi uma objeção clássica dos anunciantes. O Google quer responder com IA que cruza transmissão com busca em tempo real. Se os 190 relatórios entregarem o que prometem — correlação direta entre inserção publicitária e intenção de compra — é o argumento mais forte que o YouTube já teve contra TV linear em esporte. Quem investia em intervalo comercial da TV por falta de alternativa mensurável agora tem alternativa. E a alternativa é gratuita pro espectador, o que significa que a barreira de entrada desaparece: não precisa de assinatura, não precisa de antena, não precisa de TV paga. Precisa de internet. E em 2026, internet tem.
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