Gregório Duvivier questiona publicidade infantil velada em canais do YouTube

Novo episódio do Greg News mostra os abusos em programas para crianças e de vloggers, como Felipe Neto

por Carlos Merigo

Em seu programa semanal na HBO, Gregório Duvivier sempre explica assuntos complexos de forma eloquente. O alvo da vez do Greg News é a publicidade infantil, que saiu de ambiente controlado como a televisão para o playground vale-tudo que é a internet.

O vídeo de mais de 20 minutos de duração – assista acima) exibe algumas práticas de canais no YouTube, como unboxing (alguns protagonizados por crianças, inclusive) e presença em eventos atrelada a compra de produtos, como as coxinhas dos irmãos Neto.

Felipe Neto, aliás, um dos youtubers mais populares (e sem noção) do país, diz que seu canal não é voltado para crianças, porém, move um séquito de seguidores abaixo de 10 anos de idade. Gregório mostra a divisão cada vez menos clara entre propaganda e conteúdo, exibindo também exemplo dos palhaços Patati Patatá e brinquedos anunciados dentro do programa.

O papel no CONAR, órgão de autoregulamentação publicitária, é mais uma vez questionado. Se na televisão o cerco é apertado, no YouTube o volume de conteúdo e falta de clareza e conhecimento das regras por parte dos criadores complica o trabalho. No Reino Unido, a ASA (Advertising Standards Authority) lançou em 2015 um conjunto de regras voltado especificamente para essa nova mídia previamente não-regulada: os vloggers.

Vale lembrar que o CONAR já decidiu pela suspensão de um vídeo do Felipe Neto, em novembro do ano passado, por não deixar explícito que se tratava de uma propaganda e por uso de “apelo imperativo de consumo” a menores de idade. E não vale só pra YouTube. Bruna Marquezine e Gabriela Pugliesi também já receberam notificações por conta de publicidade velada no Instagram.

Só faltou Gregório dizer que o CONAR atua bastante através de denúncias dos próprios consumidores. Se falta responsabilidade de anunciantes e criadores de conteúdo, a audiência pode ajudar enviando uma reclamação através do site conar.org.br.

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