Para enfrentar a Netflix, Amazon Studios pretende diversificar modelo de negócios de seus filmes em 2019

Com planos de expansão, distribuição dos longas comprados e produzidos pelo estúdio de Jeff Bezos será feita tanto para o Prime Video quanto para os cinemas e dependerá do perfil do projeto

por Pedro Strazza

A Amazon hoje se encontra numa posição curiosa dentro do cenário de streaming. Enquanto a Netflix ocupa o espaço central do mercado com uma produção agressiva de conteúdos originais (e que inclui só neste ano a produção de 90 filmes, por exemplo) e plataformas que prometem ser gigantes como as da Disney, Apple e WarnerMedia ainda estão por abrir os trabalhos, o Prime Video de Jeff Bezos já alcançou algum status de serviço tradicional entre os consumidores estadunidenses, agora se expandindo de pouco em pouco para outros territórios – incluindo o Brasil.

O plano, porém, está longe de seguir na sombra da rival vermelha e esperar o que pode acontecer com o mercado depois deste ano. Na esteira do relativo sucesso de “Guerra Fria” no Oscar e da verdadeira temporada de compras feita no último Festival de Sundance – onde gastou quase 50 milhões de dólares só em aquisição de direitos de longas exibidos, um recorde para qualquer empresa no evento – a Amazon Studios busca em 2019 ampliar a estratégia com suas produções originais: além de metas para lançar dez longas no circuito de exibição norte-americano para depois colocá-los com exclusividade no Prime Video, o estúdio quer ainda colocar 20 projetos direto no streaming da empresa, fortalecendo assim seu catálogo contra o crescente leque de concorrentes.

É o que diz pelo menos a atual chefe do estúdio Jennifer Salke, que em entrevista ao Hollywood Reporter deu alguns detalhes do modo como a Amazon enxerga sua divisão de filmes hoje, quando ela está longe de ser item central na agenda de Bezos.

De acordo com a executiva, o planejamento da empresa com suas produções a partir de agora deve passar a ser dividida em três categorias distintas: os grandes lançamentos, que como “Doentes de Amor” ganham ampla distribuição nos cinemas; as produções artísticas, a serem mirados na temporada de premiações no mesmo estilo de “Guerra Fria”; e agora os exclusivos do Prime Video, que inclui o recente acordo de oito longas firmados com a Blumhouse Productions e o que Salke define como “filmes de namoro” da Blossom Films.

Os números podem não ser tão volumosos quanto os da Netflix ou mesmo da futura concorrência (um relatório recente divulgado pelo Deadline aponta que só a Disney está produzindo 18 filmes e 16 séries para seu streaming), mas Salke se diz positiva com as “peças-chave que estão se movendo no futuro”. A maleabilidade de negociação da Amazon Studios também é um fator a se considerar, dado que a empresa parece menos interessada em forçar uma visão de mundo com o streaming – com a Netflix – e focada em achar o melhor plano de distribuição possível para cada projeto ao comprar e desenvolver seus projetos.

É algo que a própria Salke resume na entrevista com o THR ao mencionar as diferenças de negócios que seu estúdio tem com “a concorrência”: “A Netflix gosta de chegar e falar de seu serviço. A Amazon vem e fala sobre o filme”.

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