64 anos depois de sua morte, James Dean será “revivido” digitalmente para atuar em novo filme

Recriação em CGI será feita para o filme "Finding Jack", onde o falecido artista viverá um papel secundário em uma história sobre cães militares perdidos durante a Guerra do Vietnã

por Pedro Strazza

Um dos atores jovens mais famosos da história de Hollywood está voltando às telonas quase 60 anos após sua morte. De acordo com o Hollywood Reporter, James Dean será reconstruído digitalmente pela Magic City Films para viver o protagonista de “Finding Jack”, filme ambientado na época do Vietnã que está marcado para ser lançado em novembro do ano que vem, próximo do Dia dos Veteranos nos EUA.

Se você acha esquisitíssimo a decisão de “reviver” o celebrado ator para trabalhar em um novo projeto, é porque você ainda não leu a justificativa dada pela equipe criativa para a medida. “Nós procuramos em todos os lugares pelo perfeito ator para interpretar o papel de Rogan [o papel], que conta com um arco de personagem dos mais complexos, e após meses de pesquisa nós decidimos no James Dean” declara Anton Ernst, que junto de Tati Golykh dirige e produz o filme.

A “complexidade” de “Finding Jack” citada pelos realizadores, no caso, se refere à trama do projeto, que é baseado num romance de mesmo nome do autor Gareth Crocker e é baseado na existência e abandono de mais de dez mil cães militares no fim da Guerra do Vietnã. O curioso é que o Rogan que Dean assumirá na história na verdade é um personagem secundário, ao invés de servir como protagonista.

Segundo Ernest e Golykh, a recriação de Dean teve autorização da família do ator e será realizada pela Imagine Engine, produtora de efeitos visuais canadense que junto da companhia sul-africana MOI Worldwide produzirá um ser humano de corpo inteiro em CGI a partir de fotos e filmagens do artista. “A família vê isto como um quarto filme, um projeto que ele nunca conseguiu realizar. Nós não pretendemos decepcionar seus fãs” declara Ernst, se referindo ao fato de que Dean faleceu aos 24 anos, vítima de um acidente de carro em 1955.

O verdadeiro horror, porém, é que “Finding Jack” é visto por empresas da indústria com bastante antecipação, em especial a CMG Worldwide que tem como cliente a família de Dean e lidou diretamente com as negociações. “Este filme abre uma nova oportunidade para vários de nossos clientes que não estão mais entre nós” afirma o CEO da companhia Mark Roesler, que é responsável pela imagem de figuras famosas da história como Christopher Reeve, Burt Reynolds, Ingrid Bergman, Neil Armstrong e Bette Davis.

A notícia obviamente volta a levantar a questão da recriação de artistas falecidos nas telonas, uma que ganhou bastante tração em 2016 quando “Rogue One: Uma História Star Wars” trouxe à vida o ator Peter Cushing para viver mais uma vez o papel do general Tarkin. Com os avanços cada vez mais impressionantes desta tecnologia (vide “Projeto Gemini”), o tema deve dividir membros da indústria nas próximas semanas: enquanto o prelúdio da saga de George Lucas chegou a receber uma indicação ao Oscar de efeitos visuais daquele ano, atores como Andy Serkis já expressaram preocupação sobre a responsabilidade ética e intrínseca a estes procedimentos.

Embora no caso de “Finding Jack” e de “Rogue One” exista a autorização das famílias para realizar esta reconstrução, a questão também não deixa de lembrar o debate sobre os deepfakes de membros de Hollywood, outro caso de manipulação da imagem que vem despertando preocupação na indústria por conta do uso para pornografia. Mas enquanto a tecnologia gerada por inteligência artificial já fez instituições como o sindicato de atores a criar medidas de proteção a seus membros, a recriação em CGI pelo visto ainda se mantém válido aos produtores.

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