Além do algoritmo, HBO Max também aposta em curadoria humana para impulsionar assinaturas

Editores da plataforma, curadores e celebridades estão entre responsáveis pelas seleções presentes na plataforma, que busca uma experiência de consumo similar ao do Spotify

por Pedro Strazza

A WarnerMedia debutou oficialmente o HBO Max nesta quarta (27) nos Estados Unidos e, enquanto o público tem o primeiro contato com o que parece ser um vasto catálogo à altura do que promete ser o “guarda-chuva” das propriedades da companhia da AT&T, a grande questão agora é como a plataforma vai buscar cavar seu espaço no mercado cada vez mais competitivo do streaming. E qual é uma das principais apostas do serviço? Curadoria humana.

É o que revela a vice-presidente sênior de experiência de produto da empresa Sarah Lyons, pelo menos, que em uma longa entrevista ao The Verge comenta que um dos principais objetivos do HBO Max é se posicionar como uma plataforma “humana” e oposta à proposta da Netflix, cuja base maior está nas capacidades do algoritmo. Embora o serviço conte com seções inteiras ditadas por seleções escolhidas por inteligência artificial e baseadas nos hábitos do usuário, ele também inclui “coleções” cujo mote é reunir títulos (entre filmes, séries e especiais) que são “recomendados por humanos” – e essa curadoria varia entre especialistas, editores da WarnerMedia e até celebridades, que poderão dividir o que estão assistindo com o público na plataforma.

“Nós sentimos que havia uma oportunidade real de fazer algo um pouco diferente em relação a descobertas” comenta a executiva na matéria, esclarecendo ainda que a ideia é mesmo diversificar as alternativas do público na hora de explorar um serviço que não falta em oferta de conteúdos. O chamariz maior do HBO Max desde seu anúncio, afinal, é que o streaming reúne todos os canais de produção da companhia em um mesmo lugar, da produção de prestígio da HBO até os filmes da Warner Bros., os desenhos animados do Cartoon Network e os clássicos da Turner Classic Movies, e o que a entrevista com Lyons sugere é que o desejo da WarnerMedia é aproximar o serviço da experiência do Spotify.

Isso não quer dizer que a companhia não buscou incorporar outras práticas da concorrência, incluindo aí o Disney+ que parece ser o parentesco mais próximo (e o mais bem sucedido) na origem “estúdio atrás de ser a próxima Netflix”. É do rival camundongo, afinal, que o serviço de streaming parece ter copiado a ideia de um hub com canais dedicados a cada uma de suas propriedades maiores, incluindo os filmes do Studio Ghibli que conseguiu direitos de exibição exclusivos nos EUA no ano passado.

A executiva também afirma que a WarnerMedia vai testar “um monte de formas diferentes de trazer recomendações humanas” no HBO Max nestas primeiras semanas, incluindo aí a possibilidade dos próprios usuários poderem recomendar entre si conteúdos, e deve definir tudo a partir dos resultados gerados nestes experimentos. “Nós precisamos ler os dados e entender como os consumidores reagem às mudanças” Lyons esclarece na matéria.

O foco maior de agora é mesmo a curadoria humana, porém, já que o objetivo é tornar a experiência do HBO Max a mais individualizada possível para cada conta. Lyons também confirma na entrevista que haverão coleção de episódios específicos a programas de grande sucesso e já revisitados in loco pelo público, incluindo “Friends” que terá esses “agrupamentos” customizados pela experiência humana – o que implica que listas de episódios favoritos devem se acumular nestes primeiros meses quando o objetivo do público com a plataforma é revisitar estas produções.

O resto do mundo aguarda, enquanto isso. A expectativa no momento é que a expansão do HBO Max comece pelos territórios da América Latina em 2021, incluindo o Brasil que recentemente viu ser resolvido um conflito jurídico que impedia o lançamento do serviço no país, mas datas e previsões oficiais ainda estão para serem divulgadas ao público.

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